Antes de um mergulho na obra completa de Abbas Kiarostami proposta pelo Instituto Moreira Salles, em São Paulo, convém voltar à história do cinema e entender como os filmes são feitos. No tempo de Hollywood —o tempo clássico—, dizia-se que os filmes não eram feitos "para" o público, e sim "com" o público. O filme deveria entender completamente as ideias e sentimentos do espectador, sintonizar-se com ele, de modo a que o mundo de desejos que expressava correspondesse ao que o público também desejava.
Assim, todo homem e toda mulher queriam encontrar um grande amor, eterno de preferência, capaz de justificar sua existência. Talvez não o encontrasse na vida, mas sim no cinema. A potencialidade existia, e os filmes realizavam nossos sonhos e desejos porque os compreendiam, porque o espectador e o filme, a tela e a plateia eram, a rigor, um só.
O cinema moderno introduziu outra figura na história —o autor. Não se tratava mais de estar em sintonia perfeita com o espectador, mas de "dizer" algo a ele. Com isso, o espetáculo passou a se dividir em dois: a plateia e a tela. Íamos ao cinema, à plateia, para aprender algo, para assimilar aquilo que o autor tinha a nos dizer sobre a vida —Ingmar Bergman—, a história —Luchino Visconti—, a fantasia —Federico Fellini— etc.






