Avanços regulatórios, aumento das emissões e novos instrumentos ampliam o financiamento privado com impacto direto na economia real e na infraestrutura Em 2025, empresas de 26 setores recorreram às debêntures para captar recursos, que ajudam a financiar projetos de infraestrutura que impactam diretamente o cotidiano da população, com destaque para energia elétrica, transportes e logística, saneamento e infraestrutura — Foto: Getty Images Construir uma fábrica, ampliar uma rodovia, instalar uma linha de transmissão ou expandir uma empresa exige acesso a capital. Durante décadas, grande parte do financiamento de longo prazo no Brasil esteve concentrada em linhas de crédito bancárias e em instituições de fomento. Hoje, porém, o mercado de capitais responde por quase um terço do crédito no país, praticamente o dobro da participação registrada há nove anos, e mantém o ritmo de expansão. Somente entre janeiro e maio deste ano, foram captados recursos via s ofertas públicas de valores mobiliários o montante de R$ 283 bilhões de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Os números revelam uma nova dinâmica de financiamento da economia brasileira, perceptível na diversidade dos projetos viabilizados pelo mercado de capitais. No ano passado, companhias de 26 setores emitiram debêntures e notas comerciais para captar recursos. Entre os segmentos com maior volume de captação estiveram infraestrutura, transporte e logística, além de outras atividades estratégicas para o desenvolvimento do país. No caso da infraestrutura, a classificação engloba segmentos como energia elétrica e saneamento, reforçando o papel desse mercado no financiamento de áreas essenciais para o crescimento econômico. Ao conectar investidores diretamente às empresas e aos projetos, o mercado de capitais ampliou sua participação no financiamento da atividade produtiva ao longo da última década. Segundo o estudo "A contribuição do mercado de capitais para o desenvolvimento econômico", da Anbima, com base em dados do Banco Central, a participação de debêntures, notas comerciais, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e direitos creditórios de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) no crédito ampliado às empresas não financeiras subiu de 16% para 31,6% entre 2017 e 2024, consolidando uma nova dinâmica de financiamento corporativo. "As companhias passaram a contar com diferentes fontes de recursos conforme o perfil de cada investimento. Essa diversificação fortalece a capacidade de financiar projetos de longo prazo e reduz a dependência de um único canal de crédito", afirma Erika Lacreta, Gerente de Mercado de Capitais da Anbima. Um mercado mais sofisticado As debêntures continuam sendo o principal meio de captação das empresas. Entre janeiro e maio, responderam por R$ 146,3 bilhões das emissões. Ao mesmo tempo, o crescimento de modalidades como Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), Notas Comerciais, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) e Fundos Imobiliários ampliou o leque de alternativas para empresas e investidores. Com o surgimento de novos instrumentos, as companhias passaram a estruturar suas captações de forma mais sofisticada, combinando modalidades com diferentes prazos, garantias, custos e perfis de risco. "Esse cenário permite as companhias desenharem a estrutura mais adequada para cada projeto. A diversificação do mercado tornou isso possível", afirma Erika. A evolução também começa a ampliar o acesso ao mercado de capitais por empresas de médio porte. Modalidades de oferta públicas direcionadas a este grupo de empresas, com menor custo regulatório, permitem a maior democratização do mercado de capitais. A tendência é de ampliação gradual do acesso, impulsionada pelo amadurecimento do mercado, pelo avanço das plataformas e pela maior liquidez dos ativos. "O próximo ciclo de crescimento dependerá da capacidade de reduzir barreiras de acesso, preservando transparência, segurança e qualidade das operações", afirma Lacreta. Novos motores de desenvolvimento O próximo passo dessa transformação deve combinar tecnologia, aperfeiçoamento regulatório e expansão da base de investidores. Segundo Erika, soluções como blockchain e tokenização de ativos têm potencial para simplificar operações, reduzir custos e aumentar a eficiência das emissões. Ao mesmo tempo, o avanço da participação de investidores como os institucionais, os fundos de pensão, e de investidores estrangeiros tende a fortalecer o financiamento de projetos de longo prazo e ampliar a oferta de recursos para a economia. "A maturidade do mercado de capitais é medida pelo volume das emissões e cada vez mais pela sua capacidade de conectar a poupança privada às necessidades de investimento do país, financiando empresas, infraestrutura e projetos capazes de impulsionar a produtividade da economia brasileira”, afirma Erika Lacreta.
Como o mercado de capitais se tornou um motor do crescimento brasileiro
Avanços regulatórios, aumento das emissões e novos instrumentos ampliam o financiamento privado com impacto direto na economia real e na infraestrutura








