Em debate entre representantes do setor de energia e infraestrutura e lideranças de grandes bancos, executivos apontam perspectivas para o setor Itaú BBA: “A grande oportunidade hoje é o investidor internacional, que tem o bolso com maior elasticidade” — Foto: Divulgação Há espaço para todos os tamanhos de bolsos em investimentos no setor de infraestrutura. Essa foi a conclusão da diretora do BNDES, Luciana Costa, ao fim da discussão entre representantes do setor de energia e infraestrutura e executivos de grandes bancos. Os empresários estiveram em painel no BNDES, nesta segunda-feira (22), em evento de aniversário do banco de fomento. O presidente da Axia Energia (ex-Eletrobras), Ivan Monteiro, afirmou que a companhia tem investido em se tornar 100% renovável, com foco em ganhar resiliência: “Tivemos recordes de investimento e de dividendos. Seguiremos com o mesmo comportamento”. Segundo Monteiro, a Axia tem buscado focar em geração renovável, aumento de investimentos para ampliar resiliência e prestar serviços de qualidade. Miguel Setas, presidente da Motiva, afirmou que o setor construtivo brasileiro teve a capacidade comprometida há alguns anos, mas está em reconstrução. “Somos positivos sobre o futuro da infraestrutura brasileira, focados em crescimento”, disse o executivo. Ricardo Szlejf, diretor-executivo do fundo canadense CPP, disse que a infraestrutura como classe de ativos aumentou a atratividade nos últimos anos. “Há cerca de dez anos, a infraestrutura era vista como um investimento de nicho. Hoje, é uma obrigação de todo grande investidor. Os investidores têm olhado mais para o mundo físico. Essa é uma oportunidade única para o Brasil atrair capital.” Flavio Souza, presidente do Itaú BBA, disse que não há concorrência entre os agentes de investimentos, mas uma complementariedade. “Há um trabalho em conjunto. Todos os bolsos são necessários”. Para o representante do banco, a execução dos investimentos no Brasil ainda é um desafio. “A grande oportunidade hoje é o investidor internacional, que tem o bolso com maior elasticidade”, disse Souza. Luiz Carlos Trabuco, presidente do conselho de administração do Bradesco, observou que a agenda climática deixou de ser uma visão periférica dos negócios, e hoje orienta investimentos e a percepção de riscos. “O Brasil reúne condições como poucos. Há necessidade de aumentar investimentos em infraestrutura, de aumentar produtividade e resiliência do ecossistema.” Segundo Trabuco, o Bradesco se comprometeu em direcionar R$ 450 bilhões a negócios sustentáveis até o próximo ano. “Isso reflete visão de escala e direcionamento estratégico.” “O próximo estágio de financiamento climático no Brasil exige menos ênfase em diagnóstico e mais foco na execução”, afirmou o executivo.