O Google está no centro de inquérito iniciado pelo Ministério Público do Paraná. Os promotores investigam quando o governo do estado decidiu usar big tech como padrão tecnológico por toda a administração e como essa decisão foi tomada pelo poder público, sem licitação, por meio da Celepar, a estatal de processamento de dados.

Nos documentos, aos quais a coluna teve acesso, o MP analisa a governança do processo, a distribuição de competências entre secretarias, a proteção de dados pessoais e os riscos econômicos assumidos pela Celepar.A contratação foi feita sem licitação com base na lei das estatais, que permite dispensa em caso de oportunidade de negócio. O Ministério Público também investiga se a Celepar assumiu riscos financeiros indevidos, se a operação agregou valor ou se foi apenas uma revenda de licenças, o que seria vedado pela legislação. Neste caso, teria de ter acontecido uma tomada de preços.

Em nota, o governo do Paraná afirma que as soluções foram contratadas de acordo com as regras gerais da administração pública. "Essa parceria, uma das pioneiras no país, envolve inclusive o uso de inteligência artificial para tratamento de câncer em hospitais públicos, já com resultados concretos em Londrina e Guarapuava", diz a assessoria.