Estratégia deve combinar debêntures, crédito do BNDES, organismos multilaterais e aportes públicos para tornar concessões viáveis 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ferrovia da Rumo, companhia de projetos ferroviários. Trecho no Mato Grosso — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/07/2026 - 01:55 Investimentos de R$ 127 bi em ferrovias no Brasil exigem mix de financiamentos Novas concessões ferroviárias no Brasil, com investimentos previstos de R$ 127,1 bilhões, demandarão um mix de financiamentos, apontam especialistas. A combinação inclui debêntures, crédito do BNDES, e organismos multilaterais. A participação estatal, via financiamento de longo prazo e mecanismos como o Viability Gap Funding, será crucial para a viabilidade econômica dos projetos, destacam analistas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Com um horizonte de investimentos que chega a R$ 127,1 bilhões previstos nas próximas concessões ferroviárias que o governo federal pretende realizar, especialistas avaliam que será necessário um mix de fontes de financiamento para esses projetos, incluindo desde o mercado de capitais, com emissão de debêntures, até linhas de crédito internacionais. Mas os analistas lembram que mesmo com restrições fiscais, a participação do Estado continuará sendo importante para assegurar, seja de forma complementar ou indireta, a viabilidade econômico-financeira de novos empreendimentos à iniciativa privada. — Historicamente, o poder público teve papel fundamental no desenvolvimento dessa infraestrutura. Isso se explica pelo elevado volume de capital necessário para a implementação de ferrovias, cujo custo pode superar R$ 20 milhões por quilômetro, além do longo prazo de maturação dos empreendimentos. Por isso, a oferta de crédito de longo prazo por parte do BNDES é fundamental para o desenvolvimento do setor ferroviário — diz Ramon Cunha, especialista em Políticas e Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O banco de fomento anunciou recentemente o lançamento de uma linha de financiamento para o setor com prazo de até 40 anos em vez de modalidades tradicionais de 20 a 25 anos. Mas a participação do Estado para destravar o investimento em ferrovias se dará em outras frentes. A Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, instituída pelo Ministério dos Transportes em novembro de 2025, prevê o uso de dois instrumentos do tipo Viability Gap Funding (VGF) — na tradução literal, Financiamento para Lacuna de Viabilidade — para apoiar a iniciativa privada no processo de implementação das ferrovias. Como o projeto não se paga comercialmente no início, o governo entra com um aporte financeiro, cobre essa lacuna e torna o projeto financeiramente viável aos investidores privados. uso de outorgas Numa das frentes, o governo prevê o uso do Fundo de Desenvolvimento da Infraestrutura Regional Sustentável (FDIRS) como mecanismo de garantia para Parcerias Público-Privadas (PPPs). Se houver cortes ou contingenciamento no orçamento federal, o concessionário recebe os recursos mesmo com restrição fiscal. A outra frente prevê que sejam usados recursos de outorgas de renovações de contratos de concessão existentes para financiar novas obras. No mercado, a estimativa é que R$ 15 bilhões podem ficar disponíveis por esta via. João Paulo Pessoa, advogado especialista em direito público e sócio do Toledo Marchetti Advogados, lembra que o mercado de capitais brasileiro se tornou fonte importante de financiamento de infraestrutura. As debêntures incentivadas e de infraestrutura atingiram volumes recordes de emissão. Até abril, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o mercado de debêntures incentivadas captou R$ 50 bilhões: — Depois de energia, o setor de transporte e logística, onde se inserem as ferrovias, foi o que mais captou. Ao que tudo indica, deverá seguir atrativo. Outra alternativa, lembra o advogado Diogo Nebias, especialista em contratos de infraestrutura e sócio do Panucci, Severo e Nebias Advogados, é o financiamento em moeda estrangeira via emissão de bonds ou dívida junto a organismos multilaterais como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ou International Finance Corporation (IFC), braço de financiamentos do Banco Mundial: — Esses organismos multilaterais são alternativas para operadores que transportam commodities, com preços atrelados ao dólar, o que reduz a exposição à variação cambial, ou seja, há receita em reais atrelada ao dólar versus pagamento da dívida em dólar.