Há cem anos o mundo descobriu que o livro mais influente na Alemanha do pós-Primeira Guerra Mundial era um volume de 600 impenetráveis páginas escritas por um ex-professor de escola secundária e acadêmico frustrado, dispensado do serviço militar pelas suas vistas curtas, que usou uma magra herança para explicar toda a história sem precisar analisar um documento.

O livro era intitulado "Der Untergang des Abendlandes" ("A Decadência do Ocidente", em português), e o autor, Oswald Spengler (1880-1936), dizia que o tinha começado a escrever ainda antes do início da Primeira Guerra (1914-1918), que supostamente tinha previsto, e que a revisão final do livro se dera quando ainda parecia que a Alemanha poderia ganhar no campo de batalha.

Mas, na verdade, a publicação da primeira metade do livro ocorreu em 1918 e só quando saiu o segundo volume, em 1922, é que o enorme sucesso editorial se produziu.

O livro em si é complicado, mas a explicação para o que aconteceu não precisa ser: a narrativa de Spengler era conveniente a uma Alemanha que perdeu a guerra depois sem conseguir perceber bem por quê. Acreditar que essa derrota não era só sua, mas de todo o Ocidente, sempre ajudava a tirar um pouco daquele sabor amargo.