Defesa disse que as manifestações de Flávio se inserem no contexto do debate político e representam “posicionamentos públicos e afinidades políticas amplamente discutidos no cenário nacional e internacional” Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou hoje esclarecimentos à Polícia Federal (PF) no inquérito em que ele é investigado por suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio tinha um depoimento marcado para esta tarde, por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, mas cancelou a oitiva e enviou sua manifestação por escrito aos investigadores. Leia mais Na petição enviada à PF, os advogados do senador pedem que os esclarecimentos por escrito substituam o depoimento que estava marcado para esta terça-feira. Já a PF informou a Moraes que o senador foi devidamente intimado, mas optou por apresentar uma “petição com os argumentos que entende cabíveis”. Como Flávio é investigado, ele não é obrigado a prestar depoimento. Em nota, a defesa do senador negou que ele tenha caluniado Lula, uma vez que o crime exige a atribuição de um fato específico e falso, o que, segundo os advogados, não ocorreu. Eles ainda afirmaram que as manifestações de Flávio se inserem no contexto do debate político e representam “posicionamentos públicos e afinidades políticas amplamente discutidos no cenário nacional e internacional”. Na petição encaminhada ao STF, Flávio diz que a publicação questionada tem duas afirmações diferentes e sem relação direta, embora estejam em um mesmo post. A primeira, sustenta, seria direcionada ao presidente e diz que Lula "será delatado". Enquanto a segunda, que trata de tráfico e outros crimes, seria direcionada só a Nicolás Maduro. "A publicação, portanto, abarca 2 (duas) frases distintas, com conteúdo e destinatários diversos. Consequentemente, a leitura conjunta das 2 (duas) orações, como se fossem 1 (uma) só oração, não corresponde à melhor interpretação da postagem em tela, nem do ponto de vista objetivo, nem do ponto de vista subjetivo, relativo à intenção de quem realizou a publicação", sustenta a defesa. "A segunda frase – que foi separada da primeira por linha em branco e dela é inteiramente autônoma – não se dirige ao Presidente Lula, mas sim ao Sr. Nicolás Maduro; sendo mencionados em tal frase justamente os ilícitos pelos quais o Sr. Nicolás Maduro foi preso e está sendo processado nos Estados Unidos da América", prosseguem os advogados. Relembre o caso Flávio é investigado por suposta calúnia a Lula ao associá-lo a crimes como tráfico de drogas e terrorismo. A apuração foi aberta por ordem de Moraes em abril, depois de a PF enviar uma representação ao Supremo. Segundo a conclusão dos investigadores, após a captura de Nicolás Maduro no início do ano, Flávio fez publicações associando Lula ao então presidente venezuelano e ao cometimento de crimes. “Lula será delatado. /É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas...”, dizia a publicação do senador. Em relatório enviado a Moraes em junho, a PF concluiu que Flávio “imputou falsamente ao presidente Lula o cometimento dos crimes de tráfico internacional de drogas, tráfico internacional de arma e lavagem de dinheiro, crimes estes expressamente tipificados em nosso ordenamento jurídico”.