Iniciativa se inspira no modelo do Estreito de Malaca, na Ásia, e prevê cobrança de taxas voluntárias para o uso da hidrovia Embarcações no Estreito de Ormuz , vistas de Musandam, Omã, 9 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer O governo de Omã apresentou ao Irã uma proposta para a criação de um mecanismo regional conjunto de administração do Estreito de Ormuz, que prevê a cobrança de taxas voluntárias pelo uso da hidrovia. A iniciativa, apoiada pelos países do Golfo, se inspira no modelo do Estreito de Malaca, na Ásia, onde as embarcações fazem contribuições voluntárias para custear a navegação, a proteção ambiental e operações de busca e salvamento. O plano é visto como uma forma de encerrar as interrupções no comércio de petróleo provocadas pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã e surge em meio às declarações do presidente Donald Trump de que está tendo "boas conversas" com Teerã. A República Islâmica, por outro lado, nega estar buscando uma retomada das negociações com Washington, e ontem lançou drones contra países da região que são aliados dos americanos, em um teste para a trégua não oficial adotada pelos EUA desde o final da semana passada. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, discutiu o Estreito de Ormuz na segunda-feira com seus colegas de Omã e da Arábia Saudita. "Ele enfatizou a necessidade de fortalecer a cooperação e avançar os esforços diplomáticos conjuntos para estabelecer estabilidade na região e eliminar a insegurança imposta ao Estreito de Ormuz pelas ações agressivas dos Estados Unidos", afirmou o Ministério das Relações Exteriores do Irã em comunicado. Washington iniciou uma nova campanha de bombardeios neste mês para romper o controle iraniano sobre Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do fluxo mundial de petróleo e gás natural liquefeito antes da guerra. Teerã fechou, na prática, a via marítima para embarcações que não fossem suas depois que EUA e Israel atacaram o país em 28 de fevereiro. Um acordo firmado no mês passado entre Washington e Teerã reabriu parcialmente a rota, mas o entendimento ruiu no início de julho, depois que o Irã atacou navios que utilizavam um canal de navegação que não reconhece. Desde o início do conflito, Ormuz se tornou um dos principais pontos de desentendimento entre os países. O Irã afirma querer administrar o estreito em conjunto com Omã, que controla a margem oposta, e cobrar taxas de serviço das embarcações que utilizam a passagem. Já Washington quer restaurar a situação anterior à guerra, quando os navios transitavam livremente, sem qualquer pagamento, e sustenta que a cobrança obrigatória de taxas seria ilegal. A proposta apresentada por Omã, portanto, poderia ser considerada um “meio-termo”, que atende às reivindicações de ambos os lados. Trump encerrou sua mais recente campanha de ataques aéreos após receber de comandantes militares a avaliação de que a estratégia havia chegado ao limite de sua eficácia. Os 13 dias de bombardeios americanos mataram dezenas de pessoas no Irã e destruíram pontes e túneis no sul do país, além de alvos militares. O Irã, por sua vez, respondeu com ataques a bases americanas em países vizinhos, que mataram quatro militares dos EUA, e com bombardeios contra infraestrutura civil em países do Golfo, os quais afirmou serem uma retaliação às hostilidades americanas contra alvos civis. Teerã afirmou que manterá o cessar-fogo enquanto Washington fizer o mesmo. Ainda assim, ataques com drones foram registrados na segunda-feira na Jordânia, na Arábia Saudita e no norte do Irã, e a Jordânia informou nesta terça-feira ter derrubado outro drone. Falando na segunda-feira, Trump demonstrou otimismo quanto à possibilidade de um acordo para encerrar o conflito de cinco meses, mas advertiu que os ataques americanos serão retomados caso as negociações fracassem. "Acho que há uma boa chance de que algo aconteça. Se acontecer, ótimo. Se não acontecer, voltaremos a fazer o que estávamos fazendo há dois dias”, afirmou o chefe da Casa Branca. O presidente americano deve se reunir nesta terça-feira, em Washington, com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Embora Israel tenha participado da campanha inicial de bombardeios, o país não integrou as negociações de paz posteriores, e as relações recentes entre os dois líderes têm sido tensas. Trump precisou conter Netanyahu para evitar ataques israelenses contra alvos no Líbano destinados a enfraquecer o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, o que vinha complicando as negociações de paz com Teerã. O fim da campanha de bombardeios americanos no fim de semana fez os preços do petróleo despencarem cerca de 8% na segunda-feira, e a queda prosseguiu nesta terça-feira. Os contratos futuros do Brent recuavam mais de 2,5%, para cerca de US$ 86 por barril, no meio da manhã.