Vista aérea de Tóquio — Foto: Reprodução: Nikkei Asia Quase metade de todos os apartamentos nos andares superiores de arranha-céus no centro de Tóquio e Osaka têm proprietários cujos endereços legais são em outros locais, revela um estudo do “Nikkei Asia”, destacando uma tendência que está impulsionando a alta dos preços dos imóveis. O “Nikkei Asia” examinou dados de registro de 303 torres com pelo menos 20 andares nos seis distritos centrais de Tóquio — Chiyoda, Chuo, Minato, Shinjuku, Shibuya e Bunkyo — bem como nos distritos de Kita, Chuo e Nishi, em Osaka. Das 1.867 unidades nos andares superiores, os proprietários de 48% não estavam registrados como residentes nesses endereços até dezembro. "Em condomínios novos, as mudanças de endereço podem ser registradas quase ao mesmo tempo que as transferências de propriedade, então, quando se trata de uso residencial, o endereço do imóvel e o endereço do proprietário quase nunca são diferentes", disse Nobukazu Nagata, advogado especializado em procedimentos de registro. "Quando há discrepância, é provável que seja um imóvel para investimento." Embora a alteração de endereço possa sofrer atrasos em unidades usadas, "mesmo assim, leva apenas cerca de duas semanas", disse Nagata. Muitos dos endereços registrados dos proprietários estavam espalhados pelo país, de Hokkaido a Okinawa. Alguns eram no exterior, em Pequim, Hong Kong ou Taipei. Nos apartamentos de Tóquio, 352 dos 581 imóveis com endereços divergentes tinham proprietários morando em outros locais da capital. Outros 77 estavam na região metropolitana de Tóquio, enquanto 88 estavam fora do Japão. Um proprietário de apartamento, um médico na casa dos 60 anos que mora em uma cidade de cerca de 40.000 habitantes na região de Kyushu — longe da agitação de Tóquio — falou com o “Nikkei Asia” sob condição de anonimato. Em 2008, ele comprou uma unidade de esquina em um prédio de 58 andares por 140 milhões de ienes (aproximadamente US$ 1,36 milhão na época), metade do valor pago à vista. "Achei que seria melhor morar no centro de Tóquio do que no campo quando ficasse mais velho", disse ele. "O centro da cidade tem muitas instalações médicas, enquanto no campo você precisa se locomover de carro, e quando sua saúde começa a piorar, você não consegue mais morar lá." Ele lembrou que os preços estavam em baixa quando comprou o imóvel e "na época, diziam que não dava para ganhar dinheiro investindo em apartamentos". A unidade agora vale entre 400 milhões e 500 milhões de ienes — o equivalente a US$ 2,44 milhões a US$ 3,05 milhões na cotação atual. O médico agora possui outro apartamento em um prédio alto no distrito de Asakusa, em Tóquio, além de oito apartamentos em Kyushu, perto das instalações de fabricação da TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Co.) "Honestamente, peguei gosto por investimentos imobiliários", disse ele. A tendência de investir em apartamentos em prédios altos vai além dos andares superiores. Analisando as compras realizadas desde 2020 de unidades novas e usadas em 188 torres nos 23 distritos centrais de Tóquio, dados da empresa de pesquisa Trustart mostram que 51% dos compradores estavam registrados como residentes em outro local. Mas os mesmos dados indicam que os andares superiores tendem a ter uma maior proporção de proprietários não residentes. Esse foi o caso de 70% das unidades nos andares 48 e superiores, em comparação com 50% entre os andares 21 e 23. Os números foram ainda maiores em Osaka, com 87% e 68%, respectivamente, para esses andares. Unidades nos andares superiores são frequentemente compradas como investimentos ou para locação, fazem parte de portfólios de ativos corporativos, são usadas como segunda residência ou exploram uma brecha na legislação tributária japonesa sobre heranças, afirmou Koji Yamamoto, cientista de dados da Trustart. O influxo de investimentos ajudou a elevar os preços médios de venda de novos apartamentos em Tóquio a um recorde histórico de mais de 130 milhões de ienes no ano fiscal de 2025. Em agosto passado, um autodenominado empreendedor serial com 10.000 seguidores no aplicativo de mídia social chinês Xiaohongshu publicou uma mensagem sobre sua chegada ao Japão e a estadia em um apartamento comprado um ano antes. Com base nas fotos e menções às vistas da Torre de Tóquio e da Ponte Rainbow, o apartamento parece estar em um prédio de 32 andares no distrito de Minato. Publicações recentes mostram o autor da publicação morando em Xangai. "Os chineses valorizam vistas e nomes de peso", disse Takemi Nonomiya, presidente da corretora imobiliária Gendai Fudosan, observando que edifícios renomados em localizações privilegiadas em áreas como Roppongi, Ginza e Shinjuku são especialmente populares. "Em nossa empresa, 70% — a grande maioria — das vendas de apartamentos de alto padrão para clientes chineses são para investimento", afirmou Nonomiya. Além da reputação do Japão em termos de segurança e da garantia dos registros de imóveis, ele observou a desvalorização do iene, acrescentando que "é um mercado relativamente barato, em termos globais". Mas quando menos proprietários de apartamentos residem em suas unidades, pode ser mais difícil para os moradores chegarem a um consenso sobre a manutenção e os reparos. Isso pode prejudicar o valor dos imóveis. "Imóveis são preciosos em áreas centrais onde a oferta é escassa", disse Masayuki Nakagawa, professor de economia da Universidade Nihon. "Quando não estão em uso constante, são socialmente ineficientes. Em áreas com mercados restritos, deveriam ser adotadas medidas como a tributação de imóveis vagos, para aumentar a oferta para as pessoas que realmente desejam morar lá."