Já virou piada, ou meme, a geração Z reclamar que nasceu na época em que ficou impossível ter o próprio imóvel. Preços elevados, juros proibitivos e mudanças no estilo de vida afastaram o antigo "sonho da casa própria".

Pelos dados do IBGE, a parcela dos domicílios alugados passou de 18,3%, em 2016, para 23,8%, em 2025. No mesmo período, a proporção de casas próprias já quitadas caiu de 66,8% para 60,2%. Não à toa, o aluguel tem impacto importante na inflação nacional. Em junho, o item aluguel residencial avançou 0,45% no IPCA. Em 12 meses, a alta chega a 5%.

A diferença entre o aumento dos aluguéis e o aumento do metro quadrado dos imóveis à venda, entretanto, é o que realmente tem chamado minha atenção.

Os dados de junho do FipeZap mostram que enquanto o preço dos imóveis residenciais subiu 5,59% em 12 meses, o valor pedido para locação avançou 9%. Com essa diferença, a rentabilidade bruta do aluguel chegou a 0,51% ao mês (ou 6,13% ao ano) nos últimos três meses, o maior nível desde 2011.

Para as famílias que vivem de aluguel, é menos dinheiro disponível para alimentação, transporte, educação e lazer. Para os proprietários, melhora a renda gerada pelo patrimônio.