Centro comercial de Tóquio, cidade que vem atraindo empresas em busca de mão de obra — Foto: Jezael Melgoza/Unsplash A taxa de vacância de escritórios na região central de Tóquio caiu para a casa de 1% pela primeira vez em seis anos. O movimento é impulsionado por empresas que estão se mudando para a capital em busca de mão de obra e de áreas maiores que estimulem a interação entre funcionários. Segundo dados divulgados na quinta-feira (9) pela corretora corporativa Miki Shoji, o índice nos cinco distritos centrais da cidade — Chiyoda, Chuo, Minato, Shinjuku e Shibuya — fechou junho em 1,99%, uma queda de 0,08 ponto percentual em relação ao mês anterior. Este foi o terceiro mês consecutivo de recuo e a primeira vez que o indicador fica abaixo de 2% desde junho de 2020. Uma taxa de 5% é considerada o ponto de equilíbrio entre oferta e demanda; abaixo de 2%, o cenário já indica uma escassez severa. As estatísticas imobiliárias costumam refletir as tendências econômicas com um leve atraso. O resultado de junho mostra que o mercado está voltando aos patamares de saturação anteriores ao primeiro semestre de 2020, quando a chegada do coronavírus inverteu a lógica do setor. Pouco antes da crise sanitária, em fevereiro de 2020, a busca por melhorias nas instalações havia derrubado a vacância na região central para 1,49%. Durante a pandemia, o indicador saltou para mais de 6%, pressionado pela queda no faturamento das empresas, pelo avanço do home office e pela entrega de novos empreendimentos de grande porte. Com o controle da crise sanitária, o retorno ao trabalho presencial e a expansão dos negócios, a procura reagiu e o índice voltou a cair. Em junho, houve uma forte movimentação de empresas alugando andares adicionais nos próprios prédios ou abrindo filiais nos arredores, especialmente no distrito de Minato. A área vaga na cidade encolheu cerca de 6.900 tsubo (unidade de medida em que 1 tsubo equivale a aproximadamente 3,3 metros quadrados). "O número de imóveis disponíveis é limitado e falta espaço para atender à demanda atual", afirmou um consultor de uma corretora local. Outro fator que impulsiona o mercado é a mudança no papel do escritório no pós-pandemia. A Solize Ureka Technology, consultoria voltada à indústria manufatureira, mudou sua sede em janeiro para um grande edifício comercial perto da estação de Tóquio, no distrito de Chiyoda. O novo projeto priorizou salas de reunião modernas para incentivar debates e cabines individuais para videoconferências. Antes, os funcionários da empresa raramente se encontravam devido às constantes viagens de negócios. "A proximidade com a estação facilitou a ida das equipes ao escritório antes ou depois dessas viagens para reuniões e conversas, o que aumentou a frequência presencial", explicou o presidente da companhia, Hiroaki Tsutsumi. O ambiente corporativo deixou de ser apenas um local de trabalho e passou a funcionar como um ponto de integração. "A diretoria das empresas está muito mais interessada em criar espaços que estimulem o trabalho em equipe", destacou Kenji Nakano, chefe de departamento da Itoki, grande empresa de design de escritórios. Seguindo essa linha, a Kenko Mayonnaise, fabricante de molhos e condimentos, mudou-se em fevereiro para um espaço maior em Chiyoda que inclui café e terraço. A baixa disponibilidade também está encarecendo os aluguéis. De acordo com a Miki Shoji, o preço médio pedido por tsubo nos cinco distritos centrais subiu para 22.993 ienes (cerca de US$ 142) em junho — uma alta de 0,65% na comparação mensal e o 29º mês seguido de valorização. O valor representa um salto de 10,14% em doze meses. Com o distrito de Shinjuku superando a marca de 20.000 ienes, esta é a primeira vez desde outubro de 2020 que todas as cinco regiões centrais operam acima desse patamar de preço. "Diferente do cenário pré-pandemia, hoje as empresas estão mais dispostas a pagar caro por prédios bem localizados e com boa infraestrutura", avaliou Toyokazu Imazeki, analista-chefe da Sanko Estate. "Essa oferta restrita deve se estender pelos próximos três anos."