A convenção do PL, realizada neste sábado (25), produziu uma situação inusitada. Flávio Bolsonaro foi lançado candidato à Presidência da República, mas terminou o evento como seu próprio vice.

O protagonista da chapa continuou sendo Jair Bolsonaro, que apareceu por meio de um vídeo produzido com inteligência artificial. Com isso, Flávio passou a ocupar a posição formal de candidato, mas exerce a função política de vice —aquele que acompanha, que representa e que dá passagem à autoridade do outro.

A frase "Isto que vocês estão vendo aqui não sou eu", dita pela representação de Jair exibida no telão, sintetiza o paradoxo da campanha. A simulação anunciava que não era Bolsonaro e, logo depois, utilizava sua imagem e sua voz em primeira pessoa para transmitir aquilo que deveria ser reconhecido como a vontade do líder. O vídeo não pedia que o público acreditasse estar diante de uma gravação verdadeira. Ao contrário, revelava a fabricação antes de falar em nome do Jair de carne de osso.

O aviso da simulação não era apenas um detalhe. Jair cumpre prisão domiciliar e está impedido de participar diretamente da campanha, de falar em público ou de fazer chegar manifestações político-eleitorais aos seus apoiadores por intermédio de terceiros. Essas restrições impostas a Jair são bem conhecidas por Flávio, que atua como representante legal do pai na execução penal. A própria encenação da entrada do vídeo no evento respondia a essa impossibilidade jurídica e colocava Flávio não como responsável pela aparição, mas como alguém igualmente surpreendido por ela.