Vice na chapa, Gilberto Kassab diz que evento do presidenciável do PL ‘fugiu dos objetivos’ esperados pela sociedade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Caiado e Kassab em evento em Brasília — Foto: Cristiano Mariz/O Globo O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, criticou nesta quarta-feira a convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no último sábado, afirmando que o evento desviou o foco da apresentação de propostas para o país ao priorizar a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, e a exibição de um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro produzido com inteligência artificial. Segundo ele, o senador foi coadjuvante e “perdeu para um argentino e para um avatar” e deixou de apresentar ao eleitor suas ideias para um eventual governo. — Foi uma convenção que o candidato perdeu para um argentino e para um avatar. Não tinha proposta. Dar foco a essas discussões diminui a relevância de uma eleição e vemos os dois mais rejeitados com a maior chance de chegar no segundo turno — disse. As declarações foram dadas após reunião promovida pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), em Brasília. O encontro, que integra o projeto Abert/ANJ Presidenciáveis, durou cerca de uma hora e reuniu empresários do setor de comunicação para discutir as propostas do presidenciável para áreas como inteligência artificial, economia, segurança pública e política externa. A crítica à convenção também foi corroborada pelo presidente nacional do PSD e candidato a vice na chapa, Gilberto Kassab. Ele afirmou ter recebido “com muito espanto” o evento realizado pelo PL e avaliou que a cerimônia deixou de cumprir o papel esperado de apresentar as propostas do presidenciável. — Esperávamos que o candidato apresentasse o que pensa sobre cada tema, mas vimos discussões sobre a relação entre dois países, que nada contribuíram para consolidar a relação entre Brasil e Argentina. A apresentação do ex-presidente por inteligência artificial também não contribui, porque queremos saber o que o Flávio pensa, e não o seu pai. A convenção fugiu dos objetivos que a população espera. Essa convenção foi um ponto muito negativo. Ele mostrou que não quer discutir o Brasil — afirmou Kassab. Questionado se o tom adotado contra Flávio poderia dificultar uma eventual aliança em um segundo turno, Caiado afirmou que não está preocupado com um possível apoio do adversário e disse que o senador precisa construir sua própria liderança. — Quem governa não herda liderança, tem que construí-la. Não pode depender do pai, do Milei ou do Trump. Tem que mostrar que tem autoridade moral para governar o país. Não me preocupa o apoio no segundo turno. Foram problemas que ele criou, não pode me responsabilizar por isso. Big Techs e IA Caiado também defendeu uma regulamentação mais flexível para a inteligência artificial e criticou o projeto em discussão no Congresso. Segundo ele, o país deve proteger os direitos autorais, mas sem criar regras que inibam inovação e investimentos. — O que nós precisamos fazer é não bloquear o desenvolvimento do país. Não podemos lutar contra aquilo que é uma realidade do mundo. Precisamos respeitar os direitos autorais, mas não podemos criminalizar a capacidade criativa das pessoas. Temos que criminalizar o mau uso. Ao ser questionado sobre a reivindicação das empresas de comunicação para que sejam remuneradas pelo uso de seus conteúdos por ferramentas de inteligência artificial, o candidato afirmou que pretende preservar a propriedade intelectual. — Os direitos autorais serão respeitados. Da imprensa, do jornalista, do escritor, de qualquer fonte. Não defendo uma legislação retrógrada, feita para ser judicializada e impedir o avanço da inteligência artificial. Durante a reunião fechada, o presidenciável criticou o que classificou como deterioração da política externa brasileira e afirmou que crises diplomáticas têm substituído o debate sobre propostas de governo. — Me preocupa, sobremaneira, a crise que está sendo criada. Em vez de discutirmos segurança pública, saúde, programas sociais e o espaço do Brasil nas mesas de negociação, entra um jogo rasteiro. É deprimente assistir ao Itamaraty. Sempre foi um orgulho para nós. Hoje você vê uma mediocridade. Um fala em patriotismo e soberania, e o outro se alimenta dos mesmos problemas para desviar o foco da eleição.