Partido sustenta que vídeo com IA configurou propaganda antecipada e buscou contornar restrições impostas a Jair Bolsonaro pelo STF 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro Kássio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral em 2026 — Foto: Luiz Roberto/TSE O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, foi definido como relator da ação apresentada pelo PT contra o vídeo produzido com inteligência artificial em que o ex-presidente Jair Bolsonaro aparece declarando apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A distribuição ocorreu nesta segunda-feira e seguiu a divisão de competências estabelecida pela Corte para as ações de propaganda eleitoral durante as eleições de 2026. Como um dos ministros responsáveis por analisar processos relacionados à propaganda eleitoral, Nunes Marques ficará encarregado de decidir os primeiros pedidos apresentados pelo partido. Na representação, o PT pede a retirada do vídeo das redes sociais e sustenta que o conteúdo configura propaganda eleitoral antecipada, além de representar uma tentativa de contornar as medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes ao ex-presidente, que está proibido de participar de atos de campanha e de fazer manifestações político-eleitorais. A ação do PT foi apresentada simultaneamente ao TSE e ao Supremo Tribunal Federal (STF) após a divulgação, durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, de um vídeo criado por inteligência artificial reproduzindo uma mensagem de apoio do ex-presidente. Para o partido, a estratégia permitiu que Bolsonaro participasse do ato político mesmo estando submetido às medidas cautelares fixadas por Moraes. A distribuição para Nunes Marques decorre da organização adotada pelo TSE para o período eleitoral. Neste pleito, as ações relativas à propaganda foram concentradas em um grupo reduzido de ministros, com o objetivo de uniformizar o entendimento da Corte e dar maior celeridade ao julgamento das demandas. Além dele, também ficaram responsáveis pela propaganda os ministros André Mendonça e Estela Aranha. Na representação, o PT sustenta que o vídeo reúne três irregularidades. A primeira seria a realização de propaganda eleitoral antecipada, ao apresentar Flávio Bolsonaro como sucessor político do ex-presidente e associá-lo diretamente à disputa pela Presidência antes do início oficial da campanha. Para a federação, expressões como "recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir" e "o futuro é Flávio Bolsonaro presidente" extrapolam os limites da pré-campanha e equivalem a um pedido de voto. O segundo argumento é que o PL utilizou inteligência artificial para criar um vídeo sintético destinado a favorecer uma candidatura. Segundo a ação, a recriação da imagem e da voz de Bolsonaro aumentou o impacto emocional e o poder de persuasão da mensagem, conferindo aparência de autenticidade ao conteúdo. A federação cita a resolução do TSE que proíbe o uso de conteúdo sintético para favorecer ou prejudicar candidaturas e lembra precedente recente da Corte que manteve multa aplicada a um candidato que utilizou vídeos manipulados por inteligência artificial na campanha municipal de 2024. O partido ainda afirma que o caso também deve ser analisado à luz das medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes a Jair Bolsonaro. A representação destaca que a decisão do STF proibiu expressamente o ex-presidente de divulgar manifestações político-eleitorais, "inclusive por intermédio de terceiros e independentemente do meio utilizado", e sustenta que o vídeo exibido na convenção do PL buscou contornar essa restrição ao reproduzir, por meio de inteligência artificial, uma manifestação de apoio eleitoral que Bolsonaro está impedido de fazer pessoalmente.eleições
Nunes Marques será relator de ação do PT contra vídeo de Bolsonaro com IA em apoio a Flávio
Partido sustenta que vídeo com IA configurou propaganda antecipada e buscou contornar restrições impostas a Jair Bolsonaro pelo STF











