Só fui ouvir outro dia o dito espirituoso de que a fluoxetina era tão boa que poderia ser colocada em caixas d’água. A recomendação deve fazer justiça ao medicamento que revolucionou o tratamento da depressão. Seu impacto chegou a Hollywood, após o sucesso do livro "Geração Prozac", da americana Elizabeth Wurtzel.

Talvez o francês Emmanuel Carrère quisesse para a ioga destino similar àquele que Wurtzel ajudou a dar à fluoxetina. Em "Ioga", o autor logo anuncia a vontade de fazer "um livrinho simpático e perspicaz" sobre o tema, vontade que ele mesmo sabota ao ampliar em muito sua paleta.

O que "Ioga" se torna ao fim de 268 páginas não vem ao caso, embora tenha produzido compulsão neste colunista: a partir dele, li tudo do francês.

Mas Carrère sublinha certas propriedades da "tecnologia indiana para tranquilizar a mente", na definição do professor da USP Danilo Santaella, que quero compartilhar: trata-se aqui de levar a "boa nova" da prática, não de angariar novas ovelhas para a autoficção do francês, em nome da qual eu me comportaria como uma fã de Maria Bethânia após o show.

Para início de conversa, Carrère não vê distinção entre ioga e meditação. Nos EUA, ioga significa alongamento, e sua prática é normalmente restrita aos exercícios posturais (os ásanas).