Ethan Kross ensina ferramentas para aprender a controlar as emoções 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ethan Kross — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 15:49 Neurocientista Ethan Kross: Equilíbrio Emocional Além do Positivo O neurocientista Ethan Kross defende que buscar apenas emoções positivas é um erro. Em seu livro, ele ensina a controlar as emoções, comparando-as a uma música que precisa de volume e duração adequados. Kross propõe que a compreensão e manejo das emoções, positivas e negativas, enriquecem a vida. Ele sugere ferramentas internas, como música e atenção, e externas, como ambientes e cultura, para melhor ajuste emocional. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Na psicologia e na literatura, a metáfora de cavalos selvagens representando as emoções é frequente. Crinas ao vento, livres e indomáveis. Mas, na vida real, precisamos poder cavalgar os sentimentos. Ou seja, é preciso ter algum controle sobre as emoções. Isso não significa, bastante ao contrário, reprimir ou ignorar raiva, alegria, tristeza, ansiedade ou medo. A metáfora preferida do neurocientista e psicólogo americano Ethan Kross é outra: uma emoção é como uma música, ela precisa estar no volume certo, ter a duração certa. Só que não aprendemos isso na infância ou em cursos. É basicamente acertando e errando ao longo da vida. Para tornar essa tarefa mais acessível, Kross escreveu o livro "Como controlar suas emoções — para que elas não controlem você" (Editora Sextante), em que explica o valor das emoções e ensina ferramentas para ajustá-las à nossa vida. Na entrevista a seguir, ele dá alguns desses caminhos. Passamos cerca de 90% do tempo acordados sentindo alguma emoção. São, mesmo, muitas emoções. Sim, é um número impressionante. E, na verdade, sentimos emoções até quando estamos dormindo. Elas também se misturam: amor e ódio muitas vezes andam juntos, inveja e felicidade também, até ansiedade e depressão, em níveis clínicos, frequentemente ocorrem juntas. Nossa vida emocional não é linear nem organizada — ela é bagunçada, complexa. Isso torna a vida rica, mas também desafiadora. Também vivemos experiências diferentes ao mesmo tempo. Posso ter um dia difícil no trabalho e estar feliz na vida pessoal. Exatamente. E, quando entendemos isso, podemos usar a diversidade emocional a nosso favor. Por exemplo, se algo não vai bem no trabalho, posso me apoiar em outros aspectos da minha identidade — como pai, marido. Existe uma teoria chamada “complexidade do self", que mostra que quanto mais dimensões temos, mais recursos para lidar com dificuldades. Se você estiver com problemas em uma área, poderá mudar o foco para outra e isso lhe dará uma fonte de resiliência. Somos criaturas emocionais, mas nunca aprendemos realmente o que são essas emoções. Quando pergunto em aulas ou workshops “o que é uma emoção?”, ninguém levanta a mão. E como começar a aprender sobre emoções? A ideia é ajudar as pessoas a entenderem suas emoções e dar ferramentas para lidar com elas. A esperança é, em primeiro lugar, educar as pessoas sobre suas vidas emocionais, o que são as emoções, por que elas importam, o que fazer com elas. Em seguida, lhes dar ferramentas para serem mais proativas e poderem direcionar suas emoções em diferentes direções. Podemos ajudar a enriquecer ainda mais suas vidas. Ao longo da história, tentamos controlar as emoções, como se fossem algo ruim. Elas são um problema? Não. Evoluímos para sentir emoções porque elas nos ajudam. Quando estão na medida certa, são úteis. Um pouco de ansiedade antes de algo importante, como quando tenho uma reunião realmente e alguns dias antes começo a sentir um friozinho na barriga, é bom porque me ajuda a começar a me preparar para esse evento. O problema é que elas nem sempre vêm na proporção adequada. Podem ser intensas demais, fracas demais, durar tempo demais ou de menos. O objetivo não é eliminar emoções, mas ajustar o “volume”. Como uma música: alta demais incomoda, baixa demais não se ouve, longa demais cansa. As emoções funcionam de forma semelhante. Desenvolvemos ferramentas, mecanismos para nos ajudar a gerenciar o volume de nossas emoções. Podemos aumentá-las ou diminuí-las. Podemos prolongar ou encurtar a duração dessas emoções. Podemos até mesmo alternar entre um estado como a ansiedade e outro como a alegria. Trata-se de encontrar as configurações certas para essas experiências, garantindo que sejam úteis. Os principais pontos são intensidade e duração? Isso, intensidade e duração, e também a capacidade de mudar de uma emoção para outra. Existem ferramentas para isso. Podemos usar música, experiências sociais, ambientes. São mecanismos que podemos usar para alterar completamente o que você está vivenciando agora. Mas não devemos buscar apenas emoções positivas. Essa ideia de viver sempre positivo pode ser prejudicial. Na minha opinião, esse é um esforço equivocado que faz mais mal do que bem, porque às vezes é apropriado experimentar emoções negativas. Como no filme "Divertida Mente", que mostra a importância de dar espaço para todas as emoções, inclusive a tristeza. Exatamente. Se não sentimos raiva, perdemos uma resposta que nos motiva a agir quando algo está errado. Se não sentimos tristeza, não refletimos sobre experiências difíceis, não encontramos sentido nelas. Se não sentimos ansiedade, não ficamos alertas e não nos preparamos para riscos. Emoções negativas são boas em capturar nossa atenção e são úteis. Algumas pessoas evitam porque é doloroso. A questão é aprender a lidar com essas emoções de forma mais manejável. Gosto de usar a ideia de “condicionamento emocional”, em paralelo com o físico. Sabemos que o condicionamento físico é importante e ensinamos isso desde cedo. Mas não fazemos o mesmo com as emoções, apesar de termos conhecimento para isso. Temos a ciência para ensinar às pessoas os mecanismos análogos para o controle emocional. Mas não ensinamos, não temos academias por toda parte que ensinem condicionamento emocional. Isso é cada vez mais reconhecido como algo importante, mas ainda não se consolidou na sociedade. Você acha as novas gerações estão mais preparadas para lidar com as emoções? Em parte, sim. Ainda existe a ideia de que meninos falam menos sobre emoções, e isso tem base cultural. Mas está mudando, pelo menos aqui nos Estados Unidos. No Brasil eu não sei, porque a cultura machista é difícil de combater. Acho que o caminho para combatê-la é compartilhar a ciência. Por exemplo, quando falo com organizações e executivos sobre isso, alguns podem se perguntar por que estou falando sobre emoções, um assunto tão delicado e sensível. Quando mostramos que emoções impactam desempenho e atenção, as pessoas passam a dar mais importância ao tema. Hoje, habilidades ligadas à regulação emocional são cada vez mais valorizadas. Pode explicar as ferramentas para lidar com emoções? Podemos dividi-las em internas e externas. As internas são aquelas que carregamos conosco, como os sentidos — visão, audição, tato, olfato. Todos influenciam emoções. E se a pessoa entende isso, pode usar essas experiências sensoriais para modular suas emoções. Por exemplo, a música é uma ferramenta poderosa. As pessoas dizem que escutam música porque gostam de como se sentem. Isso é regulação emocional. Gastamos bilhões de dólares em comida e não é só pelos nutrientes, certo? É uma experiência sensorial. Então, todos os seus sentidos são ferramentas muito, muito poderosas para manipular suas emoções rapidamente. E eles são frequentemente subestimados. Quase 100% dizem que gostam como se sentem ouvindo determinada música, mas apenas entre 10% e 30% usam essa música para influenciar suas emoções quando estão passando por dificuldades. Outro exemplo é a atenção: para onde você direciona seu foco influencia suas emoções. Evitar algo pode ajudar no curto prazo, mas não deve ser uma estratégia constante. Às vezes, se afastar temporariamente é útil — como esperar um dia antes de responder a um e-mail irritante. Também temos as ferramentas de perspectiva, que envolvem olhar a situação de outro ângulo, com mais distância e objetividade. E as ferramentas externas? Essas são as forças externas que podem nos ajudar. As pessoas são um recurso fantástico, muitas são realmente boas em dar conselhos. Se você conversar com as pessoas certas, que estão preparadas para ter empatia e ajudá-lo a reformular suas emoções, é ótimo. Ambientes físicos também impactam nossas emoções. Aumentar a exposição a espaços verdes, organizar lugares para proporcionar uma sensação de ordem e controle ao seu redor, seu canto em casa com fotos de entes queridos, são recursos que aceleram a recuperação emocional. Mudar completamente de lugar pode ser uma ferramenta muito valiosa para se distanciar dos seus problemas. E o último fator externo é a cultura, que é muito poderosa. Nossos amigos, família, grupos, organizações, são a nossa cultura, nos dão crenças, valores e normas e também nos fornecem ferramentas e práticas. Como podemos ajudar outras pessoas com as emoções delas? O ideal é que a ajuda seja solicitada. Quando oferecemos ajuda sem que a pessoa peça, ela pode reagir mal. Se a pessoa pedir, há dois passos. O primeiro é ouvir e demonstrar empatia. Depois, ajudar a refletir sobre a situação. Não é dar a solução, mas ajudar a pessoa a encontrar a própria.