É mais um delírio. Bernardo Paz, o empresário e colecionador de arte que fundou o Instituto Inhotim, no povoado mineiro de Brumadinho, mandou plantar 15 mil árvores e construir até 40 galerias num terreno imenso ao lado de seu antigo museu para criar um novo espaço de arte nos mesmos moldes, com pavilhões cercados pela mata, o que ele chama de coisa louca de linda. Além da escala, os números espantam —Paz diz já ter investido R$ 1 bilhão nesse novo parque botânico em que pretende mostrar sua coleção particular que já tem 3.000 obras dos grandes nomes da arte contemporânea do planeta.

Na primeira etapa do novo museu, com abertura prevista para setembro do ano que vem, três pavilhões com obras dos artistas Anna Maria Maiolino, Michael Heizer e Sonia Gomes devem ser inaugurados.

Maiolino, italiana radicada em São Paulo, vai recriar no centro de sua galeria uma instalação já mostrada na Bienal de São Paulo na década de 1990. "De Vita Migrare", uma espécie de túmulo rodeado por um espelho d’água, é uma de suas reflexões mais potentes sobre a sensação de desenraizamento provocado pelas migrações, um tema caro à artista que se define como uma eterna estrangeira.

Um dos maiores nomes da land art, movimento conhecido por intervenções em grande escala na paisagem natural, o americano Michael Heizer terá um espaço só seu, além da brasileira Sonia Gomes, conhecida por seus bordados com tecido reaproveitado, peças que em geral vão da escala mais íntima a algo monumental.