Mais cedo, a Arábia Saudita, a Jordânia e o Iraque relataram ataques por drones; ações colocam à prova a redução das tensões entre Washington e Teerã O presidente Donald Trump participa do jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, no Waldorf Astoria Washington DC, na sexta-feira, 24 de julho de 2026, em Washington — Foto: AP/Rod Lamkey, Jr. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou na tarde desta segunda-feira que o país vem mantendo conversas “muito amigáveis” com o Irã. “Não dá para suborná-los. É preciso derrotá-los, e vamos dar uma surra neles. Mas vamos ver no que isso vai dar”, disse o presidente americano em um comício nesta tarde em Michigan. “No momento, há negociações muito amigáveis em andamento”, acrescentou Trump, referindo-se à suspensão das hostilidades, no fim de semana, após uma campanha de ataques e revides que prevaleceu nas duas semanas anteriores, em que se rompeu o acordo de cessar-fogo que havia sido firmado em junho. Mais cedo, ele tinha dito que mantém "boas conversas" com o Irã e que “há uma boa chance de que algo aconteça”, ao falar com jornalistas a bordo do Air Force One, a caminho de Michigan. Porém, também afirmou ao site Axios que não está disposto a dar muito tempo à diplomacia e que está pronto para uma "forte ação militar" caso as negociações com Teerã fracassem. Nesta segunda-feira, a Arábia Saudita, a Jordânia e o Iraque relataram que seus territórios foram atacados por drones, apenas dois dias depois de EUA e Irã suspenderem ataques mútuos, colocando à prova a redução das tensões após 13 noites consecutivas de escalada militar no Oriente Médio. A decisão do presidente Trump de interromper as hostilidades foi tomada depois de comandantes militares terem avaliado que a ofensiva havia chegado ao limite do que poderia alcançar, segundo uma autoridade americana ouvida pela Reuters, uma vez que as forças americanas estavam ficando sem alvos. Além disso, o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, manifestou preocupação com a redução dos estoques de munições de defesa aérea utilizadas para proteger bases americanas na região. A bordo do Air Force One, entretanto, Trump aproveitou para reiterar que os EUA “têm muita munição”. Apesar da pausa militar, persistem dúvidas sobre uma retomada das negociações entre Washington e Teerã. Embora o embaixador americano na Organização das Nações Unidas (ONU), Mike Waltz, tenha dito no domingo que Trump havia interrompido os ataques para abrir espaço para o diálogo, o Irã negou estar buscando novas conversas. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da República Islâmica, Esmail Baqaei, ainda afirmou que mensagens continuam sendo trocadas por meio de mediadores e que Teerã não abandonou a diplomacia. Ele, porém, classificou como "inventadas" as informações de que o país teria pedido a retomada das negociações. Ao mesmo tempo, o governo iraniano procurou demonstrar que continua no controle do Estreito de Ormuz, ponto central da disputa com Washington e uma das rotas mais importantes para o comércio mundial de petróleo e de gás natural. De acordo com a mídia estatal iraniana, seis navios foram obrigados a retornar nesta segunda-feira depois de tentarem atravessar o estreito sem autorização de Teerã. Uma das embarcações teria sofrido um "acidente". O Irã sustenta que os navios devem utilizar um canal mais próximo de sua costa, controlado pelo país e no qual pretende cobrar taxas de trânsito. Já os EUA defendem uma rota próxima à costa de Omã e afirmam que Teerã deve garantir a livre navegação pela hidrovia.