Zema se afastou de empresas da família para governar MG e se lança como opção ao bolsonarismo que apoiou em 2018 e 2022 Aos 61 anos, Zema se afastou de Flávio e aposta em críticas a Lula e a ministros do STF para conquistar votos da direita. Novo confirmou candidatura à Presidência nesta segunda. O partido Novo confirmou nesta segunda-feira (27) a candidatura de Romeu Zema à Presidência. Herdeiro do Grupo Zema, o empresário governou Minas Gerais de 2019 a março deste ano. Ele se elegeu ao Palácio Tiradentes pela primeira vez pelo Novo em 2018 como um candidato outsider. O pré-candidato busca reforçar o discurso antissistema, distanciando-se do bolsonarismo e de ministros do STF. Na convenção do Novo, atacou o PT e o Supremo, prometeu construir presídio para faccionados na Amazônia e fez acenos ao agronegócio. Romeu Zema, partido Novo. — Foto: Ismael Soares/SVM Romeu Zema Neto tem 61 anos, é empresário e governou Minas Gerais de 2019 a março deste ano, quando renunciou ao mandato para poder concorrer ao Palácio do Planalto nas eleições de outubro. A primeira empresa foi fundada há mais de 100 anos por Domingos Zema, imigrante italiano e bisavô do ex-governador de Minas. Com quase 500 lojas de eletrodomésticos, o grupo atua também em outros ramos, como o de combustíveis, venda de veículos, imóveis e o de serviços financeiros. Em entrevistas, Romeu Zema disse que, até assumir o comando do grupo no início da década de 90, trabalhou em diversas funções nas empresas da família, como frentista, balconista, estoquista, caixa, vendedor, analista de marketing e gerente. Ele permaneceu à frente das empresas da família até 2016. 🔎Um candidato outsider é um concorrente que surge fora do sistema partidário tradicional ou do meio político estabelecido, apresentando-se como uma alternativa renovadora. Divorciado, Romeu Zema tem dois filhos: Catharina e Domenico, que são frutos da relação com a ex-esposa Ivana Scarpellini. Romeu Zema e os filhos Catharina e Domenico — Foto: Reprodução/Instagram Discurso 'antissistema' Para as eleições deste ano, Zema permanece com o verniz de gestor empresarial, com ênfase em falas de defesa da austeridade fiscal e da diminuição do tamanho do estado, com a realização de reformas previdenciária e administrativa. Ele também busca ressaltar o discurso "antissistema", com críticas ao bolsonarismo – que ajudou a eleger em 2018 e apoiou em 2022 –, ao Centrão e a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Zema elevou o tom dos ataques depois das revelações do caso Master. Em março, o político do Novo foi a Brasília protocolar um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes após a divulgação de um contrato milionário do escritório da esposa do magistrado com o banco de Daniel Vorcaro. Na mesma época, disse que não faria aliança com PP e União Brasil diante da revelação da proximidade dos presidentes desses partidos – respectivamente, Ciro Nogueira e Antônio Rueda – com Vorcaro. Zema diz ser único candidato que conhece 'Brasil real' Ainda em relação ao caso Master, Zema condenou os diálogos de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, em que o senador cobrava do então banqueiro recursos para o filme "Dark Horse", uma cinebiografia de Jair Bolsonaro. Apesar das críticas, o político mantém o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como principais adversários. E já declarou que, se não estiver na disputa em um eventual segundo turno, apoiará um nome que represente o antipetismo. Definição de vice fica para depois Em uma entrevista, o ex-governador afirmou que o anúncio do candidato a vice ocorrerá até o dia 5 de agosto, prazo final para realização das convenções partidárias definido pela Justiça Eleitoral. "O que nós queremos é alguém ficha limpa. O brasileiro está cansado de ver essa política suja aí. Eu costumo dizer que é Brasília no luxo e o resto do Brasil no lixo", afirmou Zema em entrevista à Rádio Tupi. De aliado a adversário da família Bolsonaro Além disso, tratou de ecoar críticas ao presidente Lula e defender uma união da direita para derrotar o PT. Romeu Zema declarou apoio a Bolsonaro em 2022 — Foto: Adriano Machado/Reuters O pré-candidato do Novo, contudo, começou a se distanciar da família à medida que a disputa pelo espólio de Jair Bolsonaro se intensificou. Com o ex-presidente inelegível, Zema passou a construir uma candidatura própria à Presidência da República e descartou ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro. “Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa”, afirmou quando os diálogos de Flávio e Vorcaro vieram à tona. Zema justificou aos correligionários que o posicionamento foi uma questão de "coerência", mas moderou o tom e passou a concentrar seus ataques no PT. Aposta em críticas a ministros do STF Relembre trajetória do governador Romeu Zema, em vídeo de 2018, quando ele se elegeu governador de Minas pela primeira vez O ex-governador publicou uma série de vídeos feitos com inteligência artificial intitulada "Os Intocáveis", em que relacionou os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, retratados com fantoches, ao escândalo do Banco Master. "Imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo?", afirmou. Ainda no embate com o STF, o candidato tem dito que, se eleito, vai propor ao Congresso mudanças nas regras para indicações à Suprema Corte, como a fixação de uma idade mínima de 60 anos para ser ministro. Também tem defendido a adoção de uma lista de candidatos da qual o presidente terá de selecionar um, e o fim das decisões individuais (monocráticas) de magistrados. Isenção milionária de imposto Governo de MG concede R$ 2,2 milhões em isenção fiscal para empresa da família de Zema O incentivo teve início em 25 de junho de 2024, ainda na gestão de Zema, segundo dados divulgados pelo próprio Executivo. Em nota, o ex-governador e presidenciável afirmou que as isenções à empresa da família dele são concedidas desde 2008, dez anos antes da primeira eleição dele ao Palácio Tiradentes, e que estão estritamente dentro da legalidade. Promessas e polêmicas Ele não cumpriu, por exemplo, a promessa de reajustar o salário do funcionalismo estadual para recompor perdas inflacionárias. A promessa de privatizar estatais de Minas foi cumprida parcialmente, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) foi vendida em junho de 2026, mas o ex-governador não conseguiu privatizar a Companhia Energética Minas Gerais (Cemig). Privatização da Copasa é concluída Nos quase oito anos em que esteve à frente do governo de Minas Gerais, Romeu Zema protagonizou algumas polêmicas com declarações. Em 2023, ao comentar a criação de uma aliança política e econômica entre os estados do Sul e do Sudeste, por exemplo, Zema defendeu o protagonismo das duas regiões em relação ao Nordeste e ao Norte. Em tom crítico, chegou a comparar o país a um produtor rural que dá "tratamento bom para as vaquinhas que produzem pouco e deixa de lado as que estão produzindo muito". A fala gerou forte reação de governadores do Nordeste, que classificaram o posicionamento como um "lampejo separatista" e uma leitura preconceituosa sobre a divisão econômica do país. Zema alegou ter sido mal interpretado e disse que sua fala foi tirada de contexto. Em 2025, Zema publicou um vídeo nas redes sociais ironizando o PT acompanhado do som de estouro de rojões. O vídeo repercutiu negativamente devido a uma lei de Belo Horizonte que proíbe o uso de artefatos pirotécnicos ruidosos. O governo mineiro precisou esclarecer posteriormente que o barulho dos fogos havia sido incluído digitalmente na pós-produção do vídeo para não infringir a norma. Neste ano, já como pré-candidato, durante um evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Zema defendeu exigir a conclusão de estudos apenas dos homens beneficiários do programa Bolsa Família. Convenção do Novo oficializa Zema como candidato à Presidência — Foto: Luiz Felipe Barbiéri/g1 Alexandre de Moraes Antonio Anastasia Ciro Nogueira Dias Toffoli FGV Flávio Bolsonaro Gilmar Mendes Jair Bolsonaro Luiz Inácio Lula da Silva Lula Novo PP PSD PSDB PT Romeu Zema STF - Supremo Tribunal Federal Senado Tribunal Superior Eleitoral União Brasil