Candidatura de Zema ao Planalto tem encontrado dificuldades para superar a polarização entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro (PL) 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Senador Eduardo Girão (Novo-CE) — Foto: Andressa Anholete/Agência Senado O senador Eduardo Girão (Novo-CE) foi escolhido como candidato a vice de Romeu Zema (Novo) na corrida à Presidência. A opção por uma chapa "puro-sangue" vinha se fortalecendo nos últimos dias, diante da ausência de coligação com outras legendas. Girão deve abrir mão de concorrer ao governo do Ceará para entrar na disputa presidencial. Zema confirmou, durante evento em São Paulo, nesta terça-feira (4), que a definição seria feita até quarta-feira (5), último dia do prazo para convenções, e que o mais provável era escolher alguém do partido. Ele já vinha citando Girão como uma possibilidade. Segundo auxiliares, o presidenciável conversou com o senador, que aceitou o convite. Girão, que está no fim do mandato como senador, deve se manifestar nas próximas horas sobre seu futuro e o encaminhamento da chapa no Ceará. O partido afirmou, em nota, que, após tratativas internas, Zema e o presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, "concluíram que Girão é a melhor opção para caminhar em busca de um Brasil melhor". Segundo o comunicado, Zema considera que, como senador, "Girão demonstrou toda a sua coragem e integridade para enfrentar o abuso de poder, a censura e a farra dos intocáveis de Brasília", e que "não poderia ser outra pessoa" para acompanhá-lo na chapa. Os dois convergem nas críticas a abusos do Supremo Tribunal Federal (STF). A convenção estadual do Novo está marcada para esta noite. Em pesquisa Genial/Quaest para o governo do Ceará, divulgada na semana passada, o postulante do Novo teve 3% das intenções de voto e ficou em terceiro lugar, distante dos líderes Ciro Gomes (PSDB), com 43%, e Elmano de Freitas (PT), com 33%, na simulação de primeiro turno. A candidatura de Girão a governador era defendida pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que entrou em atrito com o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) em razão dos apoios no Ceará. Ela expôs o conflito em um vídeo no qual afirmou ter sido maltratada por Flávio após opinar sobre a situação. Michelle e o enteado se reconciliaram depois. O ex-governador de Minas Gerais havia tentado atrair como vice o empresário Geraldo Rufino, que é filiado ao Podemos, mas não avançaram as articulações com o partido, que lançou Rufino ao Senado por São Paulo. Na avaliação da cúpula do Novo, os empecilhos para fechar coligação se devem à prioridade dada por partidos à eleição para cadeiras na Câmara dos Deputados, preferindo adotar a neutralidade na disputa presidencial. A ausência de aliança é minimizada por auxiliares de Zema, que comparam seu caso ao de Flávio Bolsonaro, que pode terminar tendo que recorrer a um quadro do PL, e ao de Ronaldo Caiado, que tem como parceiro de chapa o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Além disso, o Novo “não tem muito a oferecer” nas negociações, como reconhece um de seus representantes, em referência à ausência de tempo na propaganda gratuita de TV e rádio e ao acesso limitado a recursos públicos de campanha. Diante do diagnóstico de que Zema precisa buscar uma ampliação de sua candidatura para tentar crescer nas pesquisas, a entrada de Girão é vista no entorno do presidenciável como um ativo para dialogar com eleitores do Nordeste, além de segmentos religiosos conservadores, mais próximos do bolsonarismo. A candidatura de Zema tem encontrado dificuldades para superar a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. No levantamento mais recente da Genial/Quaest sobre a corrida presidencial, o mineiro alcançou 3%. Um dos objetivos do Novo com a campanha de Zema é fortalecer a eleição de deputados federais e atingir a cláusula de barreira, o que não ocorreu em 2022. Segundo projeção interna, o Novo terá cerca de 1.250 candidatos para os cargos em disputa na eleição deste ano, um aumento de 161% em relação ao pleito de quatro anos atrás. O partido calcula ser possível eleger mais de dez deputados federais para a próxima legislatura (hoje são cinco) e avançar no Senado, onde tem um representante. O cientista político Luiz Felipe D’Avila, candidato do Novo à Presidência em 2022, também foi cogitado como vice de Zema. O ex-presidenciável, que terminou a disputa com 0,47% dos votos válidos, descartou se candidatar novamente. Ele ainda está impedido legalmente, porque é comentarista de TV e não saiu do ar antes de 30 de junho, como determina a Justiça Eleitoral. Zema também expressou a vontade de ter como companheiro o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, que chegou a ser lançado pré-candidato à Presidência pelo DC. A ideia não vingou, e Barbosa desistiu de participar do processo eleitoral. O presidenciável do Novo sempre disse que fazia questão de ter como vice alguém "ficha limpa". Na pesquisa mais recente da Genial/Quaest sobre o cenário presidencial, Zema marcou 2%.
Romeu Zema escolhe Eduardo Girão, colega do partido Novo, como candidato a vice
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