Zema disse que tem conversado com vários partidos para definir um nome, e que alguns dos critérios são um candidato ficha limpa e cujo partido tenha mais tempo de TV na propaganda eleitoral gratuita O partido Novo deve oficializar o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema como candidato à Presidência da República no dia 27 em Brasília, ainda sem vice. Zema disse nesta sexta-feira (24/7), em entrevista à rádio Guaíba, que o nome do vice será definido "mais adiante". "Meu nome vai ser formalizado, mas o vice vai ser definido mais adiante. Temos até 5 de agosto para definir", afirmou o pré-candidato do Novo. Zema também disse que tem conversado com vários partidos, junto com o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, para definir um nome. O ex-governador cita entre os critérios de escolha um candidato ficha limpa e cujo partido tenha mais tempo de TV na propaganda eleitoral gratuita. O partido não descarta a possibilidade de concorrer com chapa pura. Em outras ocasiões, Zema havia manifestado interesse no nome do empresário Geraldo Rufino, do Podemos, como um possível nome para vice. Mas o partido deve anunciá-lo como candidato ao Senado por São Paulo. Perguntado sobre sua posição nas pesquisas eleitorais, Zema disse que o brasileiro "só vai ligar o radar eleitoral na véspera da eleição". Ele observou que, em sua primeira eleição, em 2018, apareceu nas pesquisas eleitorais em terceiro ou quarto lugar, e só apareceu na liderança nos últimos dias antes das eleições. De acordo com a pesquisa Genial/Quaest, divulgada no dia 15, Zema aparece com 2% das intenções de voto, ante 2% em junho e 4% em maio. Facções criminosas Perguntado sobre a decisão dos Estados Unidos de declarar as facções brasileiras como terroristas, Zema afirmou que, se for eleito, vai decretar as facções criminosas como terroristas e vai reforçar o combate ao crime organizado "com o maior poder de fogo possível". "Fui a El Salvador ver o que foi feito e vamos fazer no Brasil mais do que foi feito em El Salvador. Será prisão em massa de bandido, porque o que tem de bandido não está escrito", afirmou o ex-governador. El Salvador, presidido por Nayib Bukele, tornou-se referência pela política de tolerância zero contra o crime organizado. O ex-governador também defendeu a construção de um "super presídio" no meio da Amazônia, segundo ele, para colocar os bandidos "em lugar ao qual ninguém tem acesso". Tarifaço Questionado sobre a imposição pelos Estados Unidos de novas sobretaxas sobre produtos brasileiros, Zema criticou a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso. "O que o Lula fez foi o contrário do que deveria fazer para atender bem um parceiro comercial", afirmou. Ele observou que o governo brasileiro questionou o uso do dólar como moeda de referência no comércio internacional e se aproximou de nações que têm conflitos com os EUA, como Venezuela, Cuba e Irã. "Os Estados Unidos estão dando a resposta. No ano passado, em vez do Lula pegar um avião imediatamente para negociar com os Estados Unidos, ficou aqui assistindo. O Brasil está ficando cada vez mais dependente da China e isso não é bom", acrescentou. Renegociação de dívidas Questionado sobre se daria aos Estados mais prazo para renegociar as dívidas, se eleito presidente, Zema disse que apoiaria a renegociação de dívidas. Ele acrescentou que Minas Gerais tem uma dívida com a União "proporcionalmente tão grande quanto a do Rio Grande do Sul". "A União se tornou um banco, cobrando juros dos Estados que são insustentáveis. Eu, que herdei uma dívida bilionária, sei que, se não equacionarmos isso, meio que estamos matando a galinha dos ovos de ouro", afirmou. Privatizações Zema voltou a defender a privatização de estatais, incluindo a Petrobras. "Nós vamos fatiar a Petrobras para que haja concorrência. Hoje o refino é todo controlado pela Petrobras. Se tivéssemos várias refinarias, cada uma na mão de uma empresa, o preço tenderia a melhorar", afirmou. Questionado sobre o fato de o petróleo ser considerado um bem estratégico de um país, Zema disse que "políticos mal-intencionados falam que é estratégico para fazerem rolo com a estatal". Prioridades O pré-candidato afirmou ainda que sua prioridade será promover um choque ético e moral, um choque contra a "gastança do Lula e do PT para forçar a queda na taxa de juros" e um choque contra a criminalidade. "Precisamos de um presidente que não tenha restrições éticas. Infelizmente, os últimos tinham restrições éticas e acabam cedendo. E o Brasil não vai melhorar enquanto não se livrar desse tumor moral que é a corrupção", afirmou. Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais — Foto: Andressa Anholete/Agência Senado