0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente argentino Javier Milei durante convenção que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato — Foto: Maria Isabel Oliveira / O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/07/2026 - 09:38 Visita de Milei ao Brasil causa crise diplomática com Argentina A visita de Javier Milei ao Brasil gerou uma crise diplomática significativa entre Brasil e Argentina. Milei quebrou protocolos ao não informar o governo brasileiro de sua viagem, onde participou da convenção do PL e apoiou Flávio Bolsonaro. Em São Paulo, foi recebido com honras pelo governador Tarcísio de Freitas. As declarações ofensivas de Milei contra Lula e Alexandre de Moraes aumentaram a tensão. O Brasil respondeu chamando seu embaixador e convocando o embaixador argentino para esclarecimentos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Todos os protocolos diplomáticos foram quebrados pela visita de Javier Milei ao Brasil. Já testemunhei muitas crises entre Brasil e Argentina, mas esta é, de fato, uma das mais graves. A tensão instalada entre os dois países após os ataques de Milei domina as manchetes do Clarín e do La Nación, os principais jornais argentinos, nesta segunda-feira. O primeiro protocolo quebrado é vir sem avisar ao governo. O fato é que qualquer viagem de um chefe de Estado a outro país, ainda que tenha caráter privado, segue um protocolo mínimo, que inclui a comunicação prévia ao governo anfitrião — procedimento completamente ignorado por Milei. O presidente argentino foi diretamente a São Paulo, onde participou da convenção do PL. Antes disso foi recebido com um tapete azul, em referência à chamada "onda azul", alusão as eleições de candidatos de direita, no Palácio Bandeirantes, pelo governador Tarcísio de Freitas que concedeu a ele a Medalha da Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria concedida pelo Estado de São Paulo. Tarcísio o recebeu com honras de chefe de Estado. Estados Unidos saem menores e mais isolados da guerra tarifária, avaliam economistas Na volta à Argentina, Milei concedeu uma entrevista em que afirmou, sem provas, que o governo brasileiro financiou uma campanha midiática contra a Argentina após a Copa do Mundo. Chegou a dizer que 25% dos recursos da suposta campanha teriam saído do Brasil, em reportagem publicada no Clarín. A alegação, no entanto, não foi acompanhada de qualquer prova e carece de fundamento conhecido. Nada disso faz o menor sentido. Mais do que apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro, Milei parece ter buscado projetar sua imagem em um momento delicado de seu governo, marcado por dificuldades internas e elevados índices de desaprovação, que variam entre 60% e 65%, segundo pesquisas de opinião. Para isso, escolheu confrontar justamente o principal parceiro comercial da Argentina, destino da maior parte das exportações industriais argentinas. Caberá agora à diplomacia dos dois países desfazer esse impasse — e não será uma tarefa fácil.