Em meio às cobranças federais para maior controle, a verticalização continua avançando na área mais afetada por ruído do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. Dados compilados pela Folha apontam que, de 2016 a 2025, foi autorizada a construção de ao menos 77 prédios em locais expostos a 65 decibéis, em média ponderada, o que é considerado incompatível para residências sem reforço acústico.
Na década anterior, foi autorizado número menor, de 59 edifícios. A área mais afetada não abrange apenas a vizinhança imediata ao aeródromo, alcançando imóveis a até 4,1 km de distância da pista, principalmente nos distritos Campo Belo, Itaim Bibi, Moema e Jabaquara.
O incremento na verticalização está em parte associado aos incentivos municipais regulados pela Lei de Zoneamento de 2016 para construir perto de eixos de transporte. O entorno do aeroporto tem estações das linhas 1-azul, 5-lilás e 17-ouro, além do corredor da avenida Santo Amaro. Os benefícios foram mantidos na revisão da lei, sancionada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) em janeiro de 2024.
Como mostrou a Folha, entes federais requerem ao menos desde 2018 que nova legislação paulistana considere as curvas de ruído dos aeroportos de Congonhas, Campo de Marte e Guarulhos, com controle de uso ou exigência de melhor desempenho acústico nas novas construções, a fim de impedir aumento da população exposta. A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e o MPF (Ministério Público Federal) se baseiam no Código Brasileiro de Aeronáutica, de 1986.









