Um presidente que acreditava não haver limites para o seu poder descobriu vários, o que o deixou mais frustrado e errático 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Donald Trump durante uma coletiva de imprensa no Salão Oval da Casa Branca, em Washington — Foto: Alex Kent/The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/07/2026 - 21:26 Trump Enfrenta Desafios em Estratégia Militar Contra o Irã e Pressão Interna Cresce Donald Trump enfrenta dificuldades em sua estratégia militar contra o Irã, com objetivos não alcançados e pressão interna crescente para encerrar o conflito. As opções de Trump incluem intensificar ações militares, endurecer sanções econômicas ou retirar-se do conflito, cada uma com suas desvantagens. Diante de uma guerra impopular e limitações inesperadas ao seu poder, Trump luta para encontrar uma saída que preserve sua imagem. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente dos EUA, Donald Trump, costuma celebrar sua imprevisibilidade, afirmando que ela mantém aliados e adversários igualmente desequilibrados. Segundo seu relato, suas decisões de bombardear instalações nucleares iranianas há 13 meses e de enviar comandos da Força Delta para capturar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em sua cama no início de janeiro, refletiu sua determinação de executar operações militares que teriam feito seus antecessores recuarem. Em entrevista ao The New York Times, ele disse que era limitado apenas por sua "própria moralidade", enquanto empunhava "o maior martelo do mundo". Mas, nas últimas semanas, ele pareceu encurralado, com sua Presidência sendo gradualmente consumida por uma guerra da qual não consegue encontrar uma saída. Trump descobriu limites para seu poder que dificilmente poderia imaginar quando iniciou operações militares em larga escala em 28 de fevereiro, estabelecendo como objetivos um rápido fim ao programa nuclear iraniano e a derrubada do governo do país. Cinco meses depois, esses objetivos permanecem quase totalmente sem ser alcançados. E Trump, que antes estava confiante de que uma força avassaladora lhe permitiria aplicar ao Irã o que chamou com orgulho de "modelo Venezuela" — uma mudança de governo para outro favorável ao controle dos Estados Unidos —, agora hesita em mergulhar novamente em grandes operações militares que, segundo a avaliação de suas agências de inteligência, dificilmente teriam o mesmo sucesso em Teerã. Ele não conseguiu controlar a disparada dos preços do petróleo nem seus efeitos sobre o mercado de ações. O transporte marítimo, que praticamente parou no Estreito de Ormuz e depois foi retomado por algumas poucas semanas, voltou a ficar reduzido, enquanto um segundo ponto de estrangulamento, entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden, também passou a estar ameaçado. E, embora o presidente tenha ameaçado tomar a Ilha de Kharg, de onde o Irã exporta petróleo, ou apreender seus estoques subterrâneos de urânio enriquecido, ele declarou publicamente que sabe não haver disposição para enviar tropas terrestres. Pessoas próximas ao presidente afirmam que nem todas as frustrações de Trump são motivadas pela guerra, que agora é tão impopular que apenas 29% dos americanos entrevistados em uma pesquisa do Washington Post e da Ipsos aprovaram sua condução do conflito. Mas grande parte delas é. E sua angústia é evidente enquanto promete interromper o programa nuclear iraniano a qualquer custo, ao mesmo tempo em que seus aliados domésticos querem deixar o conflito. EUA divulgam imagens de supostos ataques a instalações militares e postos costeiros no Irã — Precisamos encerrar isso — disse o presidente da Câmara, Mike Johnson, na semana passada, expressando um sentimento cada vez mais comum entre os apoiadores mais entusiasmados de Trump. Mas o presidente não tem um caminho claro para atingir esse objetivo. Tendo entrado no conflito com pouca estratégia para alcançar a vitória, agora luta para encontrar uma saída que lhe permita preservar sua imagem. Há um mês, ele demonstrava confiança de que havia encontrado uma forma de declarar vitória. Em 17 de junho, Trump assinou com grande cerimônia — no Palácio de Versalhes, onde a Primeira Guerra Mundial terminou oficialmente em 1919 — um acordo de cessar-fogo de 14 pontos, redigido às pressas. O acordo durou apenas duas semanas. Os iranianos que negociaram o acordo pareciam estar em conflito com a Guarda Revolucionária, cujas forças abriram fogo contra navios que se recusaram a utilizar o canal do Estreito de Ormuz controlado pelo Irã. Enquanto Trump afirmou, na recente entrevista ao Times, que os líderes iranianos queriam bilhões de dólares em ativos iranianos congelados no exterior liberados e o restabelecimento das exportações de petróleo, a Guarda Revolucionária parece mais interessada em demonstrar controle. Agora Trump tem três opções principais: intensificar a ação militar, endurecer a pressão econômica ou declarar vitória e se retirar. Cada uma delas foi debatida nas últimas semanas em reuniões com o vice-presidente JD Vance, o secretário de Defesa Pete Hegseth, o presidente do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, seu genro Jared Kushner e seu enviado especial Steve Witkoff. Cada alternativa parece pouco atraente, por razões diferentes. Na sexta-feira, depois de passar toda a semana sinalizando que planejava retomar operações militares de grande escala contra o Irã, Trump recuou. Em reuniões de avaliação, segundo vários funcionários, assessores levantaram dúvidas sobre se um bombardeio maciço — que cortaria o fornecimento de eletricidade e atingiria a resistente capacidade iraniana de mísseis — realmente levaria o Irã de volta a negociações significativas. E o custo seria elevado. Trump foi informado de que ataques dessa magnitude poderiam causar um enorme número de vítimas civis e provocar fome em massa justamente entre os iranianos que ele um dia prometeu proteger de seu próprio governo. Quando foi questionado no Salão Oval, na sexta-feira, se hesitava em destruir usinas de energia e pontes porque isso poderia constituir crimes de guerra, respondeu: "Não vou responder a essa pergunta". Mas sua verdadeira hesitação talvez decorra do fato de que a guerra esgotou os estoques americanos de mísseis interceptadores. Em abril, o Center for Strategic and International Studies estimou que metade dos estoques dos EUA de alguns dos principais interceptadores já poderia ter sido utilizada. Após 13 noites consecutivas de ataques e contra-ataques neste mês, esses números, segundo alguns funcionários, atingiram níveis criticamente baixos e foram um dos fatores que levaram Trump, nos últimos dias, a adiar uma grande escalada da guerra. A segunda opção de Trump é deixar que as sanções façam efeito, esperando que um novo endurecimento das restrições às exportações de petróleo, reforçado pelo bloqueio renovado das cargas que entram e saem do Estreito de Ormuz, produza os resultados esperados. O presidente Trump na Casa Branca — Foto: Samuel Corum/Sipa/Bloomberg Mas esse é um processo lento. Trump vem prevendo o colapso econômico do Irã desde que retirou os EUA do acordo nuclear firmado durante o governo Barack Obama, em 2018, impondo o que chamou de controles devastadores contra o país. Oito anos depois, o regime continua de pé, agora sob uma nova liderança que pode estar ainda mais comprometida com um programa nuclear clandestino. Essa estratégia ainda pode funcionar. Mas exigirá uma presença militar americana contínua e custosa, além da possibilidade de confrontos intermitentes que coloquem mais vidas americanas em risco e provoquem novos ataques contra aliados dos Estados Unidos no Golfo. A terceira opção é declarar vitória e ir embora. Mas abandonar o conflito também tem custos. Se Trump deixar o Irã com seu combustível nuclear de grau próximo ao necessário para uma bomba enterrado sob os escombros e com o Estreito de Ormuz sob controle iraniano de fato, terá fracassado em resolver o problema que desencadeou seu ataque e ainda terá criado outro, de enormes proporções, para os mercados de energia. Isso definiria seu legado. E deixaria claro que existem muito mais limitações ao seu poder do que ele acreditava em janeiro, quando declarou que seu alcance era ilimitado.