Este é um momento de reflexão sobre a política monetária do Brasil: de onde viemos, onde estamos e para onde vamos. Criado em 20 de junho de 1996, o Comitê de Política Monetária (Copom) nasceu com a missão de estabelecer as diretrizes da política monetária e dar transparência ao processo de fixação da taxa básica de juros da economia, a Selic.PUBLICIDADEO modelo foi inspirado nas dinâmicas do Federal Reserve dos EUA e do Bundesbank alemão. O Comitê se reúne oito vezes ao ano para definir a Selic. O processo preza pela comunicação institucional rigorosa, materializada na divulgação imediata de um comunicado, no detalhamento da ata na semana seguinte e na publicação do Relatório de Inflação ao final de cada trimestre.Nessas três décadas, o Copom soube se adaptar a uma realidade macroeconômica em constante transformação. Há consenso sólido de que o comitê foi pilar fundamental para consolidar o Plano Real.Sede do Banco Central, em Brasília Foto: Marcello Casal Jr/Agência BrasilNos primórdios, sob o regime de bandas cambiais, a política de juros era fortemente condicionada ao fluxo de capital externo. A partir da crise cambial de 1999, o Copom assumiu o protagonismo operacional do novo arranjo macroeconômico: o regime de metas para a inflação. Desde então, o arcabouço técnico e os canais de comunicação com as expectativas de mercado evoluíram.O balanço é consistente. Na primeira década do Copom, a inflação média anual situou-se em 7,4%; na segunda, recuou para 5,9%; e, nesta última, consolidou-se em 5,2%. Trata-se de uma descompressão gradual e resoluta.PublicidadeO debate após cada decisão diz respeito à calibração ótima dos juros. Excessivamente elevados, oneram o crédito, elevam a inadimplência e postergam investimentos produtivos. Se baixos demais, estimulam a atividade, mas, descolados dos fundamentos, alimentam pressões inflacionárias, exigindo correções severas no futuro. É um exercício permanente de sopesar riscos.Leia tambémCopom avalia diferentes planos de voo para deixar inflação mais perto da meta, diz GalípoloO Banco Central ainda quer cortar o juro; a realidade, nãoEsse dilema ficou evidente em 17 de junho, quando o Copom optou por reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto, fixando-a em 14,25% ao ano, mesmo diante de expectativas inflacionárias desancoradas naquela data.A decisão acendeu debate acalorado entre analistas: de um lado, defendeu-se a conveniência de manter o aperto; de outro, visão que compartilho, avaliou-se que o corte foi acertado ao sinalizar um ajuste gradual e equilibrado.O juro prossegue restritivo. O reflexo prático é a inadimplência, que beira patamar recorde e sabota o crescimento sustentável do País. O próximo comitê será dia 5 de agosto. Espera-se uma decisão que preserve a saúde financeira da economia brasileira.
Opinião | Reflexões sobre três décadas de política monetária: o papel do Copom em um cenário de transformação
Há um consenso sólido de que o Comitê de Política Econômica foi pilar fundamental para a consolidação do Plano Real






