O presidente Donald Trump reinventou o faroeste, numa terra em que ele próprio cria ou recria leis. Quando é questionado pelas Cortes, passa a mudar a composição delas. É aquele que atira primeiro e depois pergunta, quando pergunta.PUBLICIDADEAlguns avisam que o neoliberalismo acabou; outros, que está agonizando; e outros ainda, que passa por metamorfose.O fato é que a meritocracia, que valoriza o mais capaz, está sendo desprezada. As soluções de mercado, tão valorizadas há alguns anos, vão sendo abandonadas. Prevalece quem tem mais força ou, simplesmente, o mais esperto. Ao contrário do presidente Ronald Reagan, Trump quer um Estado intervencionista. Decretou o fim do livre comércio e menospreza as instituições criadas para salvaguardar a ordem mundial, como a ONU, a OMC, o Tribunal de Haia e até mesmo a Otan. Trump recorre aos direitos trabalhistas para justificar tarifas de 12,5% contra 60 países Foto: Mark Schiefelbein/AP FotoO Estado forte e dominador deve proteger uma indústria perdedora. Também deve banir os imigrantes, não só porque – alega Trump – tiram o emprego e derrubam o salário dos nativos, mas principalmente porque ameaçam os valores e a cultura da nação.PublicidadeQuando lhe convém, Trump apela para o respeito aos direitos trabalhistas, como agora, ao impor uma tarifa aduaneira de 12,5% sobre 60 países que, segundo ele, importam bens e serviços elaborados com trabalho análogo à escravidão. No Brasil, identifica um regime assim em regiões da pecuária. Mas preferiu isentar a carne bovina brasileira do castigo. Os próprios Estados Unidos importam bens e serviços assim produzidos ao redor do mundo, inclusive da China, identificada como País que utiliza mão de obra cujos direitos trabalhistas são rotineiramente desrespeitados.Não está claro se esse novo faroeste veio para permanecer e se deve ser encarado como “novo normal”. O Partido Democrata e seu burrinho perseguem objetivos eleitorais distintos dos defendidos por Trump, mas não pregam nem a volta ao Estado neoliberal nem uma opção diferente dessa. Não apresentam ideologia ou doutrina que se contraponha ao MAGA (Make America Great Again), do presidente Trump.O ambiente de fundo continua sendo o de severa crise ambiental, de rápida e inexorável ascensão da China e de disparada dos efeitos da Inteligência Artificial, que ninguém sabe onde vão parar. PublicidadeO governo do Brasil reage a isso como cego em tiroteio. Às vezes, ameaça com retaliação; outras, com rodada indiscriminada de benefícios aos perdedores daqui; outras, ainda, com tentativas de negociação. Sabe que o objetivo dos tarifaços é arrancar concessões. Mas não sabe que concessões fazer, porque lhe falta estratégia.Tem certa noção de que segurança alimentar, energia limpa e desenvolvimento da economia das terras raras estão na lista das prioridades globais. Mas ignora como organizar o Brasil de modo a tirar proveito e saúde econômica nesses e em outros campos.