[RESUMO] O autor argumenta que as ações dos Estados Unidos contra o Brasil são parte de um projeto de reorganização geopolítica e defende que o cálculo eleitoral embutido nessa iniciativa repousa sobre três equívocos. O primeiro é atribuir a Washington a origem da onda conservadora na América do Sul, que decorre de fatores internos. O segundo é ignorar que o imperialismo americano provoca reações nacionalistas nos países atingidos. O terceiro é a leitura da política brasileira, ao supor que o apoio a Flávio Bolsonaro fortaleceria a direita, quando enfrenta resistência dentro do próprio campo.
Nos últimos quinze dias de julho, o governo dos Estados Unidos praticou contra o Brasil quatro atos hostis em sequência.
No dia 15, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA impôs sobretaxa de 25% sobre a maior parte das importações brasileiras. No dia 23, o Departamento de Estado declarou ter interesse na integridade do processo eleitoral brasileiro. No dia 24, o Itamaraty negou vistos a dois subordinados de Marco Rubio que se reuniriam em Brasília com críticos das urnas. No dia 28, a Casa Branca prorrogou por um ano o estado de emergência nacional declarado em relação ao Brasil, repetindo as acusações de perseguição política a Jair Bolsonaro e de censura pelo Supremo Tribunal Federal (STF).








