Um diário de 1846 descreve um interrogatório na delegacia de uma escrava sobre um ocorrido em um “divertimento”, que era um batuque e a presença de um tocador de viola. No final da noite, houve uma questão que resultou no assassinato de uma pessoa com “cacetes e facas”.
Em um jornal maranhense datado de 1862, há um relato de um religioso que mandou queimar publicamente violas, rabecas, bandolins, entre outros instrumentos da época, como “extermínio” de “objetos de prostituição, ociosidade e desordem”. O veículo, no entanto, discordou da posição do sacerdote: “O Brasil está desmoralizado, mas não atribui a desmoralização que arruína o Estado às violas.”
Estas e muitas outras histórias resgatando registros antigos estão no livro ‘Um Inventário das Violas, das Cantorias e dos Sambas Nortistas: de 1800 a 1930’ (editora Garganta Records), um farto levantamento com 768 páginas e 120 imagens, com uma seleção de reproduções de documentos dos séculos 19 e início do 20 contendo menções à viola, ao samba e cantoria nas regiões Nordeste – que no período retratado era designado regionalmente como território nortista.
A obra transcreve – separando os capítulos em décadas a partir de 1800 a 1930 – milhares de documentos de inúmeras fontes, como cartas trocadas entre autoridades coloniais, ofícios, relatos de viajantes estrangeiros, anais de assembleias legislativas provinciais, jornais, trechos de romances, contos, crônicas e poemas, obras de folcloristas, entre outros registros.









