Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista "101 brasileiros que transformam o futuro", reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Clayton Nascimento é ator, diretor e roterista da peça ‘Macacos’ — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 21:45 Clayton Nascimento é destaque em lista de brasileiros transformadores Clayton Nascimento, ator paulistano, integra a lista "101 brasileiros que transformam o futuro" de O GLOBO. Com a peça "Macacos", ele vem promovendo reflexões sobre racismo e educação por todo o Brasil há uma década. O espetáculo, que aborda a história do país sob a perspectiva de um homem negro, impacta jovens e é usado como material didático em escolas. Além do teatro, Clayton está envolvido em novas dramaturgias e projetos cinematográficos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Clayton Nascimento vislumbra o futuro de cima dos palcos. Ao fim das sessões de "Macacos", espetáculo com o qual roda o país há mais ou menos uma década, o ator, diretor e dramaturgo é quase sempre abordado por uma turma de jovens entusiasmados. Houve quem já revelasse que só voltou a estudar devido ao impacto positivo da peça. Outros pedem um dedo de prosa com o artista, já que a obra, publicada em livro pela editora Cobogó, passou a ser tema recorrente em vestibulares e foi adotada como parte do material didático em escolas de estados como Minas Gerais e São Paulo. O paulistano, de 38 anos, é autor — além de rosto, corpo e voz — de um dos maiores fenômenos teatrais dos últimos tempos. Criado num dos quartinhos do alojamento estudantil da Universidade de São Paulo, a USP, o monólogo com quase três horas de duração revisita a trajetória da nação sob a perspectiva de um homem preto, escarafunchando, com vigor, episódios omitidos dos retratos oficiais. O resultado é um tratado historiográfico que provoca riso, choro, revolta e sobretudo vontade por transformação social pela via da educação. Olhar para o passado Numa das passagens mais comoventes, a montagem dá espaço para Terezinha de Jesus, mãe do menino Eduardo, morto aos 8 anos, em 2015, com um tiro de fuzil disparado por policiais enquanto brincava na escada de fora de casa, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. As investigações acerca do crime, como tantas outras que envolvem casos semelhantes, foram arquivadas sem que ninguém respondesse por aquela morte. Clayton pesquisou a história e decidiu que ela não ficaria restrita a uma cena narrada. Acontece, então, o seguinte: em todas as sessões da peça — que já foi levada aos rincões do Brasil e da Europa —, Terezinha sobe ao tablado para repassar, ela mesma, as próprias vivências. A montagem se tornou peça fundamental para a reabertura do processo judicial, quase dez anos depois. —"Macacos" é uma obra que possibilita alguns futuros — reconhece Clayton Nascimento, filho de uma manicure e de um encanador, ambos piauienses. — A peça compõe um elo entre teatro e educação, sabe? É bonito ver que ficou uma semente do espetáculo para a molecada. Penso que daqui a 20 anos alguma criança poderá ler um livro de arte ou de história e encontrar um novo olhar para o passado do país, algo que não tive na infância. Em tempo: o artista finaliza, no momento, uma nova dramaturgia, além de um livro infantil. E mais. Em breve, poderá ser visto nas telonas, em filmes como "Clarice vê estrelas", de Letícia Pires, "Carolina", de Jeferson De, e "Preto no branco", de Caio César.