Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista “101 brasileiros que transformam o futuro”, reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A comunicadora e ativista Alice Pataxó possui mais de 400 mil seguidores no Instagram, TikTok e X — Foto: Levi Tapuia RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 21:29 Alice Pataxó: Voz Indígena na COP26 e Influência Global Alice Pataxó, comunicadora e ativista indígena, ganhou notoriedade internacional ao discursar na COP26 em defesa do meio ambiente e dos direitos indígenas. Aos 25 anos, utiliza redes sociais para educar sobre a cultura indígena e combater estigmas, como o uso do termo "tribo". Indicada por Malala Yousafzai, Alice foi listada entre as 100 mulheres mais influentes de 2022 pela BBC. Ela continua a lutar contra propostas que ameaçam terras indígenas no Brasil. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Alice Pataxó tinha 14 anos quando testemunhou a reintegração de posse da aldeia Araticum Pataxó, em Santa Cruz Cabrália, sul da Bahia. Sem ter para onde ir, algumas famílias acamparam às margens da Rodovia BA-001 — a de Alice estava entre elas. Todos se abrigaram em barracas e usaram banheiro improvisado até a mudança para Coroa Vermelha, pela proximidade da escola local. Foi justamente numa instituição de ensino indígena que começou o ativismo político de Alice Pataxó, em meio a estudos sobre políticas indigenistas e a história dos povos originários do Brasil. — Percebi que muitas coisas ditas pelo senso comum sobre os povos indígenas não apenas eram mentiras, mas eram mentiras bem arquitetadas. Por isso passei a gravar vídeos para compartilhar diferentes fontes da história de um Brasil em que existimos e do qual também fazemos parte. A reintegração foi um momento importante para entender que os direitos que tínhamos estavam sendo desrespeitados. Foi quando decidi fazer algo, e isso tomou forma na comunicação — explica ela. Aos 25 anos, a comunicadora indígena e estudante de jornalismo do Instituto de Ensino Superior de Brasília fala para mais de 400 mil pessoas através das redes sociais Instagram, TikTok e X. Em publicações marcadas por humor e leveza, explica, por exemplo, por que o termo tribo foi banido (por carregar o significado pejorativo de uma sociedade atrasada). Às provocações sobre ser um “índio de Iphone”, responde com uma aula sobre a diferença entre cultura e tecnologia: — Sempre tive como prioridade alcançar as pessoas distantes de nós, responder a perguntas que muita gente nem faz, mas que trazem respostas importantes para o caminho que tomamos como sociedade. Abandonar os termos “índio” e “tribo” são sinais de que estamos finalmente mudando o jeito como o mundo nos enxerga. Saímos de objetos de pesquisa a pesquisadores, lutamos muito para alcançar esse lugar e mudarmos políticas excludentes e preconceituosas. Entre as mais influentes Um discurso na COP26, em 2021, levou Alice a ser indicada pela ativista paquistanesa — e prêmio Nobel da Paz — Malala Yousafzai para a lista das cem mulheres mais influentes de 2022 segundo o canal inglês BBC. — Tive a oportunidade de fazer um programa do Malala Fund e já era incrível ser encorajada por uma mulher que defende os nossos sonhos coletivos. Fui pega de surpresa, não sabia da indicação. Mas tornou ainda mais especial o momento — comemora Alice. Malala recomendou: sigam seu ativismo. É o que Alice Pataxó faz a sério quando o assunto é a tramitação no Congresso de propostas que flexibilizam a legislação ambiental e ameaçam a demarcação de terras indígenas. — Não é a primeira vez que enfrentamos um Congresso omisso às nossas necessidades de futuro. Nessa disputa de quem vende mais do Brasil, seguimos firmes. Em marcha, se for preciso, para reivindicar nossos direitos. São muitas as ameaças que enfrentamos, mas continuo cultivando esperança, como minha aldeia cultiva florestas —afirma a ativista.