Ao completar 101 anos, O GLOBO apresenta a lista “101 brasileiros que transformam o futuro”, reunindo perfis de indivíduos que ajudam a antecipar o amanhã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Clary do Ó trabalha na Nasa onde se dedica à construção de um supertelescópio capaz de captar a imagem de exoplanetas — Foto: Reprodução/ Redes Sociais RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 19:56 Brasileira Clary do Ó desafia estereótipos na Nasa com estilo único Clary do Ó, brasileira de 28 anos, se destaca na Nasa, desafiando estereótipos com seu estilo cor-de-rosa. No Laboratório de Propulsão a Jato, ela ajuda a desenvolver um supertelescópio para capturar imagens de exoplanetas, ampliando a busca por vida fora do Sistema Solar. Clary inspira mulheres a seguirem carreiras em tecnologia, promovendo autenticidade e superação de barreiras na ciência. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um pontinho rosa se destaca no microcosmo da Nasa. O blush bem marcado, os vestidos na cor favorita, a bota branca até o joelho são a marca registrada da paulistana Clary do Ó, de 28 anos. Nas redes sociais, ela se descreve como a versão astrofísica de Elle Woods, a brilhante advogada do filme “Legalmente loira”, que desafia estereótipos ao provar que vaidade e competência caminham juntas. No Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês), dedica-se à construção de um supertelescópio capaz de captar a imagem de exoplanetas — aqueles que estão fora do nosso Sistema Solar — 10 bilhões de vezes menos brilhantes que uma estrela. O Habitable Worlds Observatory será o primeiro telescópio projetado para procurar sinais de vida em planetas que orbitam outras estrelas e deve ficar pronto em 2040. Clary cresceu na Zona Sul de São Paulo. Um presente do pai despertou a curiosidade da menina, então com 4 anos: um livro com desenhos de planetas. A paixão pelo Universo ficou adormecida até que, em um intercâmbio na Alemanha, ouviu falar no curso de astrofísica. Candidatou-se a universidades americanas. A graduação foi na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara. Cursou o doutorado na Universidade da Califórnia, em San Diego. E agora se dedica ao pós-doutorado na Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia). O Sistema Solar tinha ficado pequeno para Clary. Ela estava interessada nos exoplanetas, bem distantes. — Eu me perguntei se existiam planetas ao redor de outras estrelas. Afinal, nós vemos diferentes sistemas de estrelas em vários lugares da cultura pop, como “Star Wars”, que eu adoro! Eu gosto da ideia de que outros sistemas de planetas podem ser completamente diferentes do nosso, e da possibilidade de encontrar vida ao redor de outros planetas. O estudo de exoplanetas coloca a Terra e o Sistema Solar como um todo em um contexto maior. Hoje nós sabemos que existem vários sistemas muito diferentes do nosso, onde planetas como a Terra podem residir ou não — explica a astrofísica brasileira, que ressalta a importância dos estudos sobre a arquitetura da formação desses planetas e em que medida essa informação ajudará a encontrar padrões de sistemas que podem abrigar algum tipo de vida. Clary chegou à Nasa mais “sóbria”. Até tentou usar terninhos, que não combinavam com a personalidade dela. Assumiu a porção Elle Woods depois que vestiu rosa e ganhou elogio da orientadora no doutorado. — Esse dia me deu confiança de ficar cada vez mais rosa. Aos poucos, fui percebendo que o círculo de cientistas com quem trabalho não estava preocupado com o tipo de roupa que eu uso e sim com a minha dedicação. Nas redes sociais, o estilo de Clary chama a atenção. Mas grande parte do conteúdo é dedicada a tirar dúvidas sobre carreira e estudos. “Como você lida com o machismo na indústria da ciência e tecnologia?”, “como fazer para não desistir?”, “como você enfrenta a síndrome do impostor?”, estão entre as perguntas que ela recebe. — O propósito da minha plataforma é incentivar mulheres a seguirem seus sonhos e serem autênticas. Espero ver cada vez mais mulheres nas carreiras tecnológicas. Eu me inspiro em várias dessas mulheres e ter essas referências faz toda a diferença.