Elegante e desenvolta, a britânica Zadie Smith fez jus às altas expectativas em torno da sua primeira participação na Festa Literária Internacional de Paraty. Quando a Flip nasceu, em 2003, ela já estava escrevendo seu nome na história da literatura —agora, escreve mais um capítulo relevante na história da Flip.
Convidada mais famosa da programação principal deste ano, Zadie foi responsável por uma lufada de ar fresco na literatura anglófona no começo do século, com romances como "Dentes Brancos", de 2000, "Sobre a Beleza", de 2005, e "Ritmo Louco", de 2016. Criava personagens nascidas da imigração, mostrando a esperteza que está à margem dos ingleses empolados e usando uma linguagem veloz, calcada em gírias e culturas afro-diaspóricas.
Mediadora da mesa da noite deste sábado, a pesquisadora Juliana Borges começou perguntando o efeito que alcançar o sucesso tão jovem —hoje Zadie tem 50 anos de idade— teve no restante de sua obra.
"Autores sempre escrevem os mesmos livros de novo e de novo. E isso não me importa, ver as mesmas coisas de diferentes ângulos. 'Dentes Brancos' me deu uma enorme liberdade. O fato de que o livro ainda vende me permite escrever novos livros malucos e volumes de ensaios sobre meu país e minha herança. Sinto gratidão pela menina que escreveu aquele livro, mas eu não sou mais ela."














