Foi na Praça da Fé, em Manágua, que milhares de nicaraguenses comemoraram, em 1979, a queda da dinastia Somoza, por meio de uma aliança que reunia a Força Sandinista, os partidos de oposição e um amplo setor da sociedade civil. Não era somente socialismo contra conservadores.
Quase meio século depois, o filme foi outro. Uma multidão se reuniu outra vez para ouvir a voz de Daniel Ortega, hoje líder de um sandinismo esvaziado e autoritário, que diz que não haverá mais eleições no país.
Parece piada, mas a situação é muito séria. A Nicarágua é um dos países mais pobres da América Latina, com sérios problemas humanitários, onde não há liberdade de expressão e com o exílio como única saída. A maioria dos oposicionistas, muitos deles ex-aliados, saiu do país.
Para compreender o peso deste momento é preciso voltar algumas décadas. Entre 1936 e 1979, a Nicarágua viveu sob a dinastia Somoza, uma das mais duradouras da América Latina. Anastasio Somoza García chegou ao poder apoiado pela Guarda Nacional, criada durante a ocupação dos Estados Unidos, e construiu um sistema em que Estado, Forças Armadas e boa parte da economia passaram a gravitar em torno da família.
Após seu assassinato, em 1956, foi sucedido pelos filhos Luis e Anastasio Somoza Debayle, que preservaram o domínio até serem derrubados pela Revolução Sandinista. As eleições existiam, mas como um teatrinho cujo final todos conhecem.












