O dilema é recorrente entre candidatos favoritos nas pesquisas, ainda mais quando presidentes: ir ou não ir aos debates. Portanto, normal que a equipe de Luiz Inácio da Silva (PT) divulgue que ele cogita não ir. Segundo a conta do custo-benefício, o balão serve de ensaio ao teste.

Indo, o candidato se arrisca a tropeços que o façam perder a liderança e aos ataques dos demais oponentes que o coloquem numa posição de isolamento, mas também pode ganhar a parada e consolidar o favoritismo.Não indo, vira personagem oculto de uma cadeira vazia, denotando covardia, arrogância e desrespeito ao eleitorado, mas sai ileso, pode atribuir a ausência a questões estratégicas ou de agenda e tem a chance de compensar a conversa com o eleitor nas entrevistas separadas, as chamadas sabatinas.

No cenário atual, Lula não tem dianteira confortável para sustentar impunemente uma ausência nem para fornecer a Flávio Bolsonaro (PL), o principal adversário, o ensejo para também se recusar a estar no confronto tradicionalmente inaugural da Rede Bandeirantes, marcado para 16 de agosto.

Embora a data coincidente com o lançamento da candidatura à reeleição em ato simbólico no estádio de Vila Euclides dê ao petista justificativa para não comparecer, faz também com que perca a oportunidade de testar o desempenho de Flávio Bolsonaro nesse tipo de cenário.