A convenção nacional do Partido Liberal (PL), que confirmou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência da República, começou com ataques à esquerda e ao “sistema”, pedidos de “união” da esquerda e com ode a Javier Milei e à “onda azul” na América Latina, fazendo referência às vitórias recentes de candidatos da direita em países como Peru e Colômbia. Em seu principal momento até agora, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro enviou um vídeo endereçado às mulheres, destacando que elas são mais da metade do eleitorado brasileiro, e afirmou que é hora delas “ocuparem lugares”. A menção a Flávio foi pontual e singela. – É hora de fazermos nossa voz ser ouvida e transformamos essa força em ação, foi por isso que lutei e que nós continuaremos lutando, quando mulheres e homens de bem se unem para fazer o que é certo, nenhuma dificuldade é maior que a nossa coragem. Flávio, que Deus abençoe e proteja sua candidatura. Que ele te dê sabedoria, coragem e força a você e a sua família para cumprir a sua missão, a lealdade e a verdade para o nosso futuro — disse. Michelle falou sobretudo para as integrantes do PL Mulher e citou Deus, família e os eleitores indecisos. – Vivemos uma guerra de ideias e de narrativas, e também uma diminuição espiritual. Já vencemos algumas batalhas e também enfrentamos erros. Mas Deus está conosco. Essas eleições serão decididas por vocês. Vocês que estão no dia a dia das cidades, das famílias, dos trabalhadores, dos jovens e dos eleitores que ainda estão indecisos ou sem esperança. São vocês que podem conquistar cada ponto, recuperar cada esperança e trazer mais brasileiros para esse projeto de edificação da nossa nação – falou. O vídeo de Michelle na convenção sela a reaproximação com Flávio, que nesta semana gravou um vídeo pedindo-lhe desculpas. Horas depois, ela também publicou um vídeo em suas redes endereçado a ele, afirmando que aceitava suas desculpas. Apesar disso, ela decidiu permanecer em Brasília com o marido, e participou do evento nacional do PL apenas com a mensagem gravada. O evento é realizado no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo. Flávio chegou e desceu do palco para cumprimentar apoiadores que estavam na plateia. Ao abrir o evento, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, elogiou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem chamou de “o maior líder que já viu”. – Flávio foi escolhido por Jair para continuar o projeto que deu certo — disse. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro enviou um vídeo dos Estados Unidos, onde vive desde o ano passado, no qual criticou Lula por sua afinidade com outros presidentes de esquerda na América Latina e citou o Foro de São Paulo, e se referiu a Javier Milei como inspiração. — É isso que a gente vai levar adiante, vai soltar Jair Bolsonaro, anistiar os condenados por 8 de janeiro por crimes que eles não cometeram e fazer essa onda azul da América Latina chegar ao Brasil também. Vamos todos unidos, não há mais tempo para ego, é Flávio Bolsonaro e, no ano que vem, Milei já está convidado para a posse — disse. O senador Rogerio Marinho, que coordena o plano de governo de Flávio, lembrou das resistências ao nome de Flávio em dezembro, quando o pai lhe indicou para a disputa federal em seu lugar, e disse que na ocasião “o sistema se armou para falar da inexperiência” e para afirmar “que ele não estava preparado”. — Eu estou há seis meses ao lado de Flávio, e nesse período eu tenho visto alguém preparado, resiliente, alguém que tem tido a coragem de aguentar as agressões, a capacidade de fazer o que um homem público de valor vai unir, conciliar. Flávio, você vai ser nosso presidente. Todos unidos, com o mesmo propósito – disse. O outro irmão, Carlos Bolsonaro (PL), afirmou que o pai “abriu os olhos das pessoas para as forças do sistema” do qual tanto Bolsonaro quanto Flávio estão sendo “vítimas”. Flávio chorou com o discurso do irmão. — Jair Messias Bolsonaro abriu os olhos das pessoas para as forças do sistema, nosso pai é vítima diária desse sistema, e agora você também está sendo. Estamos todos contigo, haja o que houver, é a nossa última chance de livrar o país desse sistema podre da esquerda. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse que Flávio não é candidato “pelo sobrenome”, mas sim por sua “lealdade, coragem e compromisso”, e afirmou que ele já tem experiência por sua atuação como parlamentar e por ter acompanhado o pai durante o mandato como presidente. — A gente precisa de um presidente firme e o Flávio acompanhou seu pai em todos os momentos, tem experiência nos vários mandatos de deputado, no mandato de senador, e tem experiência por ter estado ombro a ombro com seu pai, por ter visto Bolsonaro lutar contra um sistema podre e corrupto. A gente precisa de uma virada, olha o que está acontecendo em São Paulo, cuidamos das contas, fizemos investimentos, estamos fazendo a diferença. Sabe por que São Paulo prospera? Porque a esquerda nunca governou São Paulo, e nunca vai governar porque nós não vamos deixar – disse. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), fez um dos discursos mais exaltados e pregou, por diversas vezes, a “união” do campo da direita, além de ter feito críticas ao governo Lula. — A gente vai fazer uma baita bancada de senadores e a gente vai fazer vários governadores, a gente precisa de união. O time é esse, sem errar, todo mundo indo na mesma direção. Eu passei por isso em 2024, para com essa conversa de fazer um e fazer outro, vamos todos caminhar juntos, caramba. Para de divisão, vamos juntos ganhar e poder fazer com que os brasileiros possam realizar seus sonhos. Aliança com o centrão O filho de Jair confirma seu nome à eleição sem chapa definida, em meio a dificuldades para agregar outros partidos em sua coligação e sob o risco de ter que optar por uma chapa "puro sangue". Siglas do centrão, como a federação União Brasil - Progressistas e o Republicanos, devem adotar a neutralidade na disputa federal. Em São Paulo, porém, local escolhido para dar o pontapé oficial em seu projeto político, ele tem o apoio do diretório estadual do União-PP e do Republicanos, cujo nome forte é o governador Tarcísio de Freitas. O evento teve a participação do presidente da Argentina, Javier Milei. Antes da convenção, Milei foi recebido pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no Palácio dos Bandeirantes, onde foi homenageado com o Colar da Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria concedida pelo estado de São Paulo. Há quatro anos, o pai de Flávio foi lançado pelo PL como candidato no Rio de Janeiro, reduto da família Bolsonaro. No estado, porém, o palanque da direita no estado ainda enfrenta percalços, especialmente em relação ao vice e à segunda vaga ao Senado, enquanto em São Paulo a chapa já está completa. A oficialização de sua candidatura ocorre num momento em que o senador é pressionado por uma baixa nas pesquisas de intenção de voto, ligações com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e falta de apoio do Centrão. Esta semana, entretanto, representou um respiro para Flávio. Após quase um mês de rusga pública com a madrasta, Michelle Bolsonaro, os dois fizeram as pazes anteontem com vídeos divulgados nas redes sociais. Apesar da reconciliação, a ex-primeira-dama não compareceu à convenção para permanecer com o marido em Brasília. Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (24) mostra o presidente Lula na liderança de todos os cenários de segundo turno testados. Na simulação de um embate direto contra Flávio, o petista marca 48%, enquanto o parlamentar aparece com 43%. No primeiro turno, o petista também lidera, com 40% das intenções de voto, 8 pontos percentuais de vantagem contra o senador, que marca 32%. O quadro, segundo o instituto, é de estabilidade na margem de erro, de dois pontos percentuais, apesar de crises recentes da campanha do presidenciável do PL, como o tarifaço aplicado pelos EUA e a briga com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Convenção do PL oficializa Flávio com vídeo de Michelle, pedidos de ‘união’ da direita, ode a ‘onda azul’ e críticas ao ‘sistema’
Evento que sela candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto teve discursos dos irmãos Eduardo e Carlos












