Em um momento delicado da pré-campanha, o PL realiza neste sábado (25) a convenção para oficializar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como o escolhido do partido para concorrer à Presidência da República. Não deverá haver, no entanto, anúncio do nome que comporá a chapa e disputará a vice-presidência. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não deverá comparecer. O pré-candidato tem dificuldades para firmar acordos com outros partidos e fechar palanques estaduais. Aliados de Flávio esperam que a convenção tenha função de agitar a base eleitoral mais fiel do pré-candidato e consiga transmitir a imagem de que a campanha tem apoio de figuras importantes para o bolsonarismo. A convenção será realizada na capital do maior colégio eleitoral do país, São Paulo, em um espaço de evento no Estádio do Pacaembu. Para sinalizar que recebe apoios em meio ao cenário de isolamento, Flávio contará, no evento, com a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, e do governador do Estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O Republicanos, no entanto, ainda não decidiu se apoiará o senador no plano nacional ou se manterá neutralidade. Para promover a convenção, a campanha de Flávio disparou um vídeo produzido por inteligência artificial. Na peça, o personagem de Flávio Bolsonaro, identificado como "Fox Bravo”, pilota um avião e recebe, por rádio, a ordem para abortar uma missão e seguir imediatamente ao estádio do Pacaembu, em São Paulo, sob a justificativa de que precisa "salvar o Brasil dos vermelhos". Em seguida, ele pergunta se o Comando Vermelho teria invadido a capital paulista, ao que recebe a resposta de que a referência não é à facção criminosa, mas a adversários políticos, descritos como "tão perigosos quanto". Na sequência, surge um personagem chamado Javier, em referência a Milei, pilotando outra aeronave, que ironiza a fragilidade das fronteiras brasileiras, dizendo que "os narcos cruzam o tempo todo", mas que seu voo estava devidamente autorizado. Os dois aviões pousam em solo brasileiro. Ausência de Michelle Apesar da reaproximação entre Flávio e Michelle, ela não deve participar do evento. Os dois estavam rompidos após conflitos a respeito da disputa eleitoral no Ceará e a publicação de um vídeo pela ex-primeira-dama, no qual ela afirmava ter sido humilhada pelo enteado. Na quinta-feira (23), no entanto, Flávio publicou um vídeo com um pedido de desculpas a Michelle, que foi respondido com um vídeo dela acatando o aceno. Neste sábado, a esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro deve participar de outro evento do PL, no Distrito Federal, mas são esperadas menções à madrasta e uma participação por vídeo da ex-presidente do PL Mulher. O aceno é avaliado como estratégico por aliados de Flávio para mostrar que a disputa no clã Bolsonaro é “página virada” e já foi superada. A figura da ex-primeira-dama é considerada essencial para a campanha de Flávio, já que representa uma ponte com o eleitorado feminino e evangélico – setores nos quais ele enfrenta resistência. Articulações em busca de aliados A convenção converge com os últimos esforços dos partidos para atrair apoios políticos e as definições do nome para a vice e das vagas majoritárias nos palanques estaduais. As siglas devem registrar todas as suas candidaturas até o dia 5 de agosto. A campanha de Flávio, com candidaturas nos Estados ainda em aberto e sem o apoio de partidos à disputa da presidência da República, corre para fazer essas articulações. Nas últimas semanas, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, ouviu uma recusa da líder do PP no Senado, Tereza Cristina (MS), para disputar a vice-presidência. Além disso, como mostrou o Valor, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), sinalizou ao pré-candidato do PL que a sigla deve permanecer neutra na eleição nacional – assim como deve se comportar o partido federado com o PP, o União Brasil. Dirigentes da campanha do PL, entretanto, acreditam que ainda conseguem reverter esse cenário e trabalham para atrair apoios partidários até o fim do prazo. Com a federação União Progressista fora, Flávio e seus aliados devem insistir no apoio do Republicanos. A economista Daniella Marques, que coordena a parte econômica do plano de governo do senador e é uma das cotadas para a vice, se filiou recentemente ao partido. Mas, integrantes da legenda avaliam que ela não representa o partido e há resistências internas a uma composição, com figuras importantes defendendo a neutralidade. Além disso, o presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), declarou em entrevista ao jornal Z Norte, do interior de São Paulo, que o PL não tem cedido aos pedidos feitos pelo partido. O Republicanos quer apoio da sigla chefiada por Valdemar Costa Neto para as eleições no Mato Grosso e em Roraima, por exemplo. Estados-chave O PL ainda tem alguns dos Estados-chave da eleição, como Minas Gerais e Rio de Janeiro, com os palanques indefinidos. No Rio, o nome que ocuparia a vaga de vice ao governo do Estado, Rogério Lisboa (PP), desistiu da candidatura na chapa com o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL). A primeira vaga ao Senado no Estado pelo grupo político bolsonarista será ocupada pelo senador Carlos Portinho (PL-RJ), com a segunda em aberto. A indefinição para a segunda vaga se abriu após o escolhido, o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), ser preso em flagrante. Em Minas Gerais, por sua vez, o partido havia fechado acordo para disputar o governo do Estado com o Republicanos, mas a indecisão do senador Cleitinho Azevedo (MG) de disputar o posto fez o PL buscar alternativas. Como mostrou o Valor, outros nomes possíveis são o presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, e o empresário e ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli. Um novo nome ventilado é o de Marcelo Aro (PP). O partido vai lançar o deputado federal Domingos Sávio ao Senado. Apesar das indefinições, articuladores da pré-campanha de Flávio afirmam que, nos próximos dias, após a convenção, o senador divulgará uma lista com todos os palanques fechados – afirmam que, neste ano, a campanha bolsonarista terá mais de 20 palanques, quase o dobro da campanha do pai, em 2022.
Flávio Bolsonaro chega à convenção do PL hoje tentando superar isolamento
Aliados esperam que o evento, em São Paulo, tenha a função de agitar a base eleitoral mais fiel do pré-candidato










