Com mesa lotada, ministra lançou em Paraty seu novo livro, 'Pela mão do povo - Voto e democracia no Brasil' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cármen Lúcia durante a Festa Literária Internacional de Paraty 2026 — Foto: Alexandre Cassiano/ Agência O GLOBO A headliner da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty até aqui é uma ministra do supremo. Anunciada como uma das grandes atrações da programação principal do evento, Cármen Lúcia confirmou as expectativas na tarde desta sexta-feira (24): mesa lotada, sessão de autógrafos de mais de uma hora e gritos de "diva" por onde passava. Na cidade histórica, onde lançou seu novo livro, "Pela mão do povo - Voto e democracia no Brasil" (Bazar do Tempo), ela teve tratamento de ícone pop. — Expliquei para minha nora fã de música que a Cármen Lúcia é tipo um Harry Styles — brinca a advogada Paola Pugliesi, uma das muitas admiradoras que acompanharam a passagem da ministra por Paraty. — Essa é a relação que a gente tem com ela. Somos Carmen Lucers! Na conversa com a jornalista Paula Miraglia, no Auditório da Matriz, Cármen Lúcia exibiu o seu conhecido repertório cultural e jurídico. A mesa foi permeada por referências literárias, histórias curiosas e uma defesa, ao mesmo tempo contundente e bem-humorada, de princípios caros à ministra, como a democracia, os direitos humanos e o respeito à Constituição. Segunda mulher a integrar o Supremo Tribunal Federal e hoje a única ministra da Corte, ela traçou um panorama da história do voto no Brasil (tema central de seu novo livro) e comentou os ataques golpistas de 8 de janeiro. — Democrata é quem sabe perder, não é quem sabe ganhar — afirmou, ao alertar para eventuais "aventuras antidemocráticas". Do lado de fora do Auditório da Matriz, uma multidão acompanhou a conversa pelo telão. Talvez tenha sido a maior concentração de advogados, juristas e estudantes de direito já vista na história da Flip. Estudante do terceiro semestre de Direito, Sofia Sary El Din diz que a ministra é sua "inspiração": — Pelo repertório, pela profundidade das citações literárias. Estou sempre acompanhando suas decisões — diz a jove, que esperou na fila de autógrafos após a mesa com um livro da autora nos braços. Para o advogado Felipe Nóbrega, a presença de Cármen Lúcia na principal festa literária do país evidencia uma influência que extrapola os limites do Judiciário. — Ela consegue dar voz àqueles que não têm voz. Quando afirma que a única forma de o país avançar é por meio da educação, dentro de uma festa literária frequentemente vista como elitista, ela está mandando um recado justamente às pessoas que estão aqui e têm poder de influência. Fala mansa, erudição, posicionamento em assuntos sensíveis são algumas das características mais marcantes do estilo Cármen Lúcia, segundo o público da Flip. — Minha mãe chorou vendo ela na Ana Maria Braga — conta a professora Clarissa Guedes. — Ela tem um carisma que conquista todas as idades, até meu priminho pequeno. Para a advogada Juliane Abreu, o "jeitinho Cármen Lúcia" traduz a essência mineira: — Ela humanizou o STF ao trazer a fala suave do mineiro e criar uma proximidade com as pessoas. Consegue ser assertiva sem soar rude. Me sinto muito representada por ela como mulher, advogada e servidora pública. A aposentadoria de Cármen Lúcia está prevista para 2029, caso não decida antecipá-la. Entre quem fazia fila por um autógrafo em Paraty, poucos conseguem imaginar a ex-ministra longe do debate público. — Hoje o nome dela já não está limitado ao cargo — resume Juliane Abreu.
Cármen Lúcia transforma Flip em festa da democracia e ganha status de ícone pop: 'Ela é tipo o Harry Styles'
Com mesa lotada, ministra lançou em Paraty seu novo livro, 'Pela mão do povo - Voto e democracia no Brasil'














