EUA anunciam novo tarifaço sobre o BrasilNova taxa é resultado de investigação norte-americana sobre trabalho forçado. Crédito: Edição: Júlia PereiraGerando resumoA União Europeia afirmou nesta sexta-feira, 24, que espera que os Estados Unidos cumpram o acordo firmado com o bloco, após Washington anunciar, na quinta-feira, 23, uma nova sobretaxa de até 12,5% para 60 parceiros comerciais.PUBLICIDADEO governo americano afirmou que as tarifas foram impostas em resposta a uma investigação do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) sobre a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. A medida se aplica aos 60 principais parceiros comerciais dos EUA, que representam 99,4% das importações americanas, incluindo Brasil, China e União Europeia, com alíquotas que variam de 10% a 12,5%.PublicidadeSede da União Europeia, em Bruxelas. Foto: Virginia Mayo/APEm julho do ano passado, a União Europeia e os EUA firmaram um acordo comercial no resort de golfe Turnberry, de propriedade do presidente americano, Donald Trump, na Escócia.Um porta-voz da Comissão Europeia afirmou, em comunicado enviado à agência de notícias Reuters, que o bloco espera que Washington continue cumprindo os termos do acordo. “Isso é essencial para continuar proporcionando aos nossos respectivos mercados a tão necessária estabilidade e previsibilidade”, afirmou.Ele também disse que a União Europeia “vê de forma positiva” o fato de a medida estar “em conformidade com os compromissos tarifários dos EUA”, acrescentando que isso proporciona um “impulso positivo” para continuar o trabalho de ampliar as isenções tarifárias e aprofundar a cooperação.PublicidadeJá a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, questionou a justificativa dos EUA em entrevista à emissora Channel News Asia.“Se compararmos nossas leis trabalhistas com as dos EUA, quero dizer, nós temos férias remuneradas, temos ótimas condições de trabalho para nossos funcionários, então não há muita base nisso”, afirmou Kaja.Leia tambémGuerra e tarifas voltam a ameaçar a resiliente economia dos EUA; entendaCom novo tarifaço, química entre Trump e Lula acaba e relação atinge o pior momentoTarifa deixa mercado americano mais distante, mas empresas defendem negociações em vez de retaliaçãoAs novas tarifas, que entraram em vigor nesta sexta-feira, foram aplicadas pelos EUA com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao presidente impor tarifas contra países estrangeiros que adotem práticas comerciais consideradas abusivas ou discriminatórias.PublicidadeA medida responde ao que o governo americano classifica como atos, políticas e práticas de diversos países que falham em proibir e combater de forma eficaz a comercialização de bens produzidos com trabalho forçado.“O presidente está pedindo a todos os parceiros comerciais que se unam aos EUA na eliminação do trabalho forçado das cadeias de suprimentos globais”, disse o USTR em comunicado.Argentina, Bangladesh, Camboja, Canadá, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Índia, Indonésia, Honduras, Jordânia, Malásia, México, Paquistão, Sri Lanka, Trinidad e Tobago e Reino Unido estão sujeitos a tarifas de 10%. União Europeia, Taiwan, Japão, Coreia do Sul e Suíça, entre 10% e 12,5%. As demais economias investigadas, 12,5%.PublicidadePUBLICIDADEO Brasil está sujeito a uma sobretaxa de 12,5%. O governo brasileiro reagiu logo após o anúncio feito pelos EUA, rechaçou a medida e afirmou que acionará a Lei da Reciprocidade.“Tendo em vista o caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas anunciadas contra o Brasil, iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levaremos o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC)”, afirmou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), em nota.