Observação vem após uso mais intenso do do chamado “forward guidance”, ou orientação futura, pelos bancos centrais; presidente reitera que cenário demanda Selic em patamar restritivo por período mais longo O ambiente atual de incerteza tem provocado uma espécie de “normalização” da comunicação da política monetária após um período de uso intenso do chamado “forward guidance”, ou orientação futura. Nesse contexto, o Banco Central (BC) deve ser mais humilde tanto no que comunica aos agentes econômicos e financeiros quanto na forma como consome os dados. A avaliação é do presidente do BC, Gabriel Galípolo, que participa de painel na Expert XP nesta sexta-feira (24). De acordo com ele, o Comitê de Política Monetária (Copom) não vai reagir tempestivamente a dados específicos, e seguirá acompanhando as informações com a convicção de que o cenário demanda uma Selic em patamar restritivo por um período mais longo. Na comunicação da decisão de junho do Copom, o colegiado afirmou que ponderou diversos cenários de pausa e retomada do ciclo de cortes da Selic que levassem a inflação à meta com menor volatilidade dentro do horizonte relevante. Para Galípolo, esse trecho da comunicação “conversa com a palavra” que o BC escolheu desde o primeiro momento para descrever o atual ciclo de flexibilização monetária: calibração. “Desde o início, entendíamos que era muito mais um processo de calibração, em função da melhora que estava ocorrendo. O efeito dos juros altos estava mais evidente sobre a economia”, disse Galípolo. “Na decisão, analisam-se estratégias distintas para ver como é possível chegar à meta”, explicou. Nesse sentido, é recomendável consumir os dados de forma parcimoniosa, segundo o banqueiro central. “O BC está mais para um transatlântico do que para um jet-ski.” Segundo Galípolo, o cenário atual mostra uma combinação favorável para os emergentes que “não é trivial”, com curvas de juros relativamente comportadas e um enfraquecimento do dólar americano. Além disso, percebe-se que a taxa de juros elevada gradativamente afeta a economia doméstica. Ainda assim, as expectativas de inflação seguem se distanciando da meta, tendo partido já de patamares desancorados. De acordo com Galípolo, esse é um dos temas mais importantes e que mais geram preocupação entre os membros do Copom. O presidente do BC ainda afirmou que há uma discussão relevante sobre se a desancoragem das expectativas de inflação de 2028 tem ocorrido por fatores que já estão atuando na conjuntura econômica, ou se pela expectativa de medidas que serão tomadas no futuro. Sobre os potenciais impactos do El Niño sobre a inflação, Galípolo afirmou que a história mostra tendências muito díspares e, por isso, não é fácil extrair uma tendência. No entanto, uma economia apertada como a brasileira favorece o surgimento de efeitos inflacionários de segunda ordem, como por meio do choque dos preços do petróleo ou do El Niño. Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, e Caio Megale, economista-chefe da XP, em painel na Expert XP 2026 — Foto: Leo Orestes/G.Lab
Ambiente de incerteza pede humildade na comunicação do BC, diz Galípolo
Observação vem após uso mais intenso do do chamado “forward guidance”, ou orientação futura, pelos bancos centrais; presidente reitera que cenário demanda Selic em patamar restritivo por período mais longo







