Óbito foi ocultado pelos responsáveis pela pesquisa e descoberto após investigação da revista científica Science 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Medicamentos com a tecnologia de edição genética CRISPR recebem aval pelo mundo. — Foto: FreePik RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 11:54 Morte de Menina em Experimento na China Reacende Debate Ético A morte de uma menina de 6 anos após um tratamento experimental de edição genética na China levanta questões éticas e de transparência. Oculto inicialmente, o óbito foi revelado após investigação da Science, destacando falhas em ensaios clínicos não regulados pelo governo. O caso evidencia os riscos da rápida expansão da biotecnologia chinesa e a necessidade de supervisão rigorosa. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma menina morreu após receber um tratamento experimental de edição genética em um ensaio clínico em Xangai, na China, informou a revista científica Science. O caso levantou questões sobre supervisão regulatória e transparência enquanto o país asiático amplia rapidamente suas ambições no setor de biotecnologia. A criança de 6 anos, que tinha uma mutação genética que afetava seu neurodesenvolvimento, recebeu em março de 2025, no Hospital Xinhua de Xangai, um tratamento desenvolvido para corrigir o defeito genético subjacente, segundo uma investigação da Science e do Retraction Watch. Ela morreu dias depois em decorrência de uma reação imunológica grave associada à terapia, informou a revista, citando documentos e relatos fornecidos pelos pais da menina. A morte, porém, não havia sido divulgada anteriormente e não foi mencionada em um artigo publicado na Nature no início deste ano que detalhava estudos em animais da terapia, que utiliza uma tecnologia conhecida como edição de base para alterar com precisão uma única letra do DNA. O artigo também omitiu problemas preocupantes nos rins e no fígado que surgiram em experimentos anteriores com macacos, segundo a Science. Qiu Zilong, neurocientista da Faculdade de Medicina da Universidade Jiao Tong de Xangai que liderou o desenvolvimento da terapia, e Yongguo Yu, médico responsável pelo estudo, não responderam imediatamente a um pedido de comentário da Bloomberg. Ligações para o Hospital Xinhua não foram atendidas. Uma chamada para o número de telefone listado na página do ClinicalTrials.gov, plataforma onde os estudos clínicos são cadastrados, mencionada pela Science foi atendida por uma pessoa que disse não estar envolvida no estudo e não saber nada sobre ele. O caso destaca a natureza pouco transparente de alguns ensaios iniciados por pesquisadores, conhecidos como IITs (investigator-initiated trials), na China, nos quais pesquisadores de grandes hospitais testam novas terapias após uma avaliação local, sem aprovação do órgão regulador nacional de medicamentos. Esses estudos cresceram significativamente nos últimos anos, aumentando 11 vezes entre 2015 e 2023, ultrapassando mil ensaios. A corrida por acordos A via dos IITs ajudou a acelerar o desenvolvimento de terapias de ponta com células e genes, e dados promissores levaram empresas farmacêuticas ocidentais a licenciar medicamentos de empresas chinesas de biotecnologia. O hospital recebeu uma multa de cerca de US$ 3,6 mil por falhas no ensaio, e Yu, o médico responsável, recebeu uma advertência verbal. Os pais da criança, que contribuíram com US$ 860 mil para a pesquisa e para o trabalho clínico relacionado ao tratamento dela, não receberam nenhuma compensação, segundo o relatório da Science. A China tem trabalhado para reforçar a supervisão de tecnologias médicas emergentes desde que o cientista He Jiankui chocou o mundo ao criar os primeiros bebês geneticamente modificados da história, testando o equilíbrio entre fiscalização e sua ambição de liderar a inovação em biotecnologia. Em junho, a China reformulou as regras sobre pesquisas com terapias celulares e genéticas, restringindo ensaios de tecnologias avançadas a determinados hospitais e proibindo instituições de cobrar dos pacientes taxas relacionadas a pesquisas clínicas. Ao mesmo tempo, o país estabeleceu caminhos para que hospitais qualificados possam comercializar alguns procedimentos avançados, como terapias celulares, sem exigir o registro tradicional de medicamentos.
Menina de 6 anos morre após tratamento experimental de edição genética na China e abre discussão ética
Óbito foi ocultado pelos responsáveis pela pesquisa e descoberto após investigação da revista científica Science










