O ministro Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio) confirmou nesta quinta-feira (23) que a investigação dos Estados Unidos sobre trabalho forçado vai resultar na soma de tarifas aplicadas contra o Brasil. A decisão culmina em uma taxa acumulada de 37,5% para diversos setores e produtos.

"Lamentavelmente, muitos setores estarão sujeitos à dupla taxação de 37,5%, como é o caso, por exemplo, de calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções, químicos, desde que não sejam farmacêuticos. Para esses, infelizmente, a tarifa passa a ser de 37,5%", disse o ministro.

Os EUA anunciaram uma nova tarifa ao Brasil, de 12,5%, com base em uma investigação sobre falhas no combate à importação de produtos feitos com o uso trabalho forçado.

O Brasil, contudo, já estava sujeito à aplicação de uma sobretaxa de 25%. A sanção, que entrou em vigor na última quarta (22), atinge milhares de produtos brasileiros, mas isenta itens estratégicos para a pauta exportadora, como carne bovina e café.

Como mostrou a Folha, o governo brasileiro já esperava que as taxas fossem cumulativas. Segundo o ministro, uma avaliação preliminar da pasta mostra que cerca de 2.000 produtos que o Brasil exporta aos EUA não estarão sujeitos a nenhuma das duas tarifas. É o caso de carne bovina, café, suco de laranja e frutas, por exemplo. Outro rol de produtos, como celulose e pescados, será taxado em 12,5%.