Nesta fase, os EUA estabeleceram duas alíquotas. Países que, na avaliação do governo americano, adotaram medidas para proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado pagarão 10%. Já aqueles considerados insuficientes nesse combate, caso do Brasil, estarão sujeitos à taxa de 12,5%. 🔎 O argumento é parecido ao utilizado pelos EUA para justificar a tarifa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na última quarta-feira (22). Com a nova medida, parte dos produtos do Brasil podem passar a enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%. Confira abaixo a lista completa dos países que serão atingidos pelas novas tarifas: Tarifaço de Trump: EUA confirmam nova tarifa de até 12,5% sobre trabalho forçado para Brasil e outros parceiros comerciaisTarifaço de Trump: EUA confirmam nova tarifa de até 12,5% sobre trabalho forçado para Brasil e outros parceiros comerciaisTarifa de 12,5% (54 economias) Argélia — 12,5%Angola — 12,5%Argentina — 12,5%Austrália — 12,5%Bahamas — 12,5%Bahrein — 12,5%Bangladesh — 12,5%Brasil — 12,5%Camboja — 12,5%Chile — 12,5%China — 12,5%Colômbia — 12,5%Costa Rica — 12,5%República Dominicana — 12,5%Egito — 12,5%El Salvador — 12,5%Guatemala — 12,5%Guiana — 12,5%Honduras — 12,5%Hong Kong — 12,5%Índia — 12,5%Iraque — 12,5%Israel — 12,5%Japão — 12,5%Jordânia — 12,5%Cazaquistão — 12,5%Kuwait — 12,5%Líbia — 12,5%Malásia — 12,5%Marrocos — 12,5%Nova Zelândia — 12,5%Nicarágua — 12,5%Nigéria — 12,5%Noruega — 12,5%Omã — 12,5%Peru — 12,5%Filipinas — 12,5%Catar — 12,5%Rússia — 12,5%Arábia Saudita — 12,5%Singapura — 12,5%África do Sul — 12,5%Coreia do Sul — 12,5%Sri Lanka — 12,5%Suíça — 12,5%Taiwan — 12,5%Tailândia — 12,5%Trinidad e Tobago — 12,5%Turquia — 12,5%Emirados Árabes Unidos — 12,5%Reino Unido — 12,5%Uruguai — 12,5%Venezuela — 12,5%Vietnã — 12,5% Tarifa de 10% (6 economias) Canadá — 10%Equador — 10%União Europeia — 10%Indonésia — 10%México — 10%Paquistão — 10% As tarifas aplicadas sobre o Brasil No documento divulgado nesta quinta-feira, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) afirmou que o Brasil está entre os países que "falharam em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado". O órgão acrescentou que a decisão levou em conta as conclusões da investigação, as contribuições recebidas durante a consulta pública e as orientações do presidente Donald Trump. Conforme o documento, tanto a cobrança quanto as exceções previstas são "apropriadas para obter a eliminação dos atos, políticas e práticas" identificados ao longo da apuração. Na prática, isso significa que alguns produtos permanecerão isentos da tarifa. Segundo o governo americano, ficarão de fora da cobrança itens considerados estratégicos para a economia dos EUA ou cuja tributação poderia comprometer os objetivos da própria investigação. Entre as exceções estão: matérias-primas cuja taxação possa provocar escassez no mercado americano;produtos que possam causar impactos econômicos amplos caso sejam tributados;itens que não possam ser produzidos ou cultivados em quantidade suficiente nos EUA nem obtidos de outros fornecedores;produtos cuja isenção possa incentivar outros países a adotar medidas para proibir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado; eprodutos para os quais a tarifa adicional não contribuiria de forma significativa para combater as práticas investigadas pelos Estados Unidos. Agora no g1 Prática "irracional" "A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável", afirmou o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, na época. "Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais." A investigação concluiu que a entrada desses produtos nos mercados globais não apenas prejudica a lucratividade de empresas éticas, mas também incentiva a manutenção do trabalho escravo moderno ao permitir a circulação de mercadorias produzidas a custos artificialmente baixos. Em relação ao Brasil, o relatório afirma que, embora o país assuma compromissos de combate ao trabalho escravo em acordos de comércio e investimentos, ainda não possui uma proibição considerada efetiva pelos EUA para impedir a entrada de mercadorias produzidas nessas condições no mercado interno. O documento menciona a existência da Lista Suja do Trabalho Escravo, atualizada semestralmente pelo governo federal, mas ressalta que o foco da investigação americana foi a ausência de mecanismos para impedir a importação de bens produzidos com trabalho forçado em outros países. Novas taxas substituem tarifaço anterior Na prática, as novas tarifas substituem a taxa global de 10% anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, em fevereiro deste ano, logo após a Suprema Corte dos EUA derrubar as "tarifas recíprocas" impostas pelo republicano no ano passado. A medida havia sido adotada com base na Seção 122 da legislação comercial americana, que permite ao presidente impor tarifas temporárias por até 150 dias. Esse prazo se encerra nesta sexta-feira (24). Na ocasião, o presidente americano havia adiantado que recorreria à Seção 301 para abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais. O que acontece agora? O governo brasileiro já esperava a aplicação da nova tarifa de 12,5% e agora mantém conversas com representantes dos setores afetados para definir uma resposta à medida. A principal iniciativa do governo para apoiar empresas afetadas pelas tarifas é o Plano Brasil Soberano. Lançado em 2025, o programa prevê linhas de financiamento, ampliação das garantias para exportadores e ações de promoção comercial para ajudar empresas brasileiras a conquistar novos mercados. Na última quarta-feira (22), o governo anunciou a terceira etapa do plano, que liberou R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas comerciais dos EUA. A medida atende companhias de setores industriais estratégicos, como os segmentos farmacêutico, de fertilizantes e têxtil, além de empresas que tiveram as exportações para o Golfo Pérsico afetadas. Nesse último caso, o objetivo do governo é ampliar o apoio a empresas afetadas pela guerra no Oriente Médio. O conflito, que envolve os EUA, o Irã, Israel e outros países da região, provocou o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais do mundo, por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo. O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa em um comício para dar início à Great American State Fair (Grande Feira Estadual Americana) em celebração ao 250º aniversário da independência dos EUA, no National Mall, em Washington, D.C., EUA, 24 de junho de 2026. — Foto: Reuters/Evan Vucci