As novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos chegam em momento de retração do mercado interno de calçados, com desequilíbrio entre oferta e demanda, afirma Marcos Tavares, CEO da Aby's, a maior varejista do setor no Nordeste. Segundo ele, a taxação pode provocar uma queda de produção nacional entre 5% e 8%.
Alinhado com outras vozes do segmento, Tavares vê o mercado nacional como destino de parte da produção que seria destinada aos EUA. O problema é achar como absorver isso.
"A gente imagina que as exportações vão cair e vamos ter de procurar outros mercados. Isso vai impactar o varejo interno, que terá de receber esse produto. Não acredito que, num primeiro momento, isso seja absorvido de uma vez. Com certeza, não vai acontecer em menos de um ano e meio", afirma.
A Aby's tem 52 lojas em Alagoas, Pernambuco e Sergipe, sendo que 18 são unidades da rede multimarcas Aby's Calçados. Em 2025, o faturamento anual foi de R$ 180 milhões, com projeção de R$ 200 milhões para 2026. A empresa opera com lojas próprias, franquias e integração entre varejo físico e digital.
O calçado brasileiro não foi incluído na lista de exceções do governo norte-americano, o que tira da indústria nacional seu principal mercado exportador. A medida faz, segundo associações do setor, com que a margem de lucro seja espremida e encareça o produto frente a concorrentes da China e Vietnã.













