Foi o acidente aéreo mais grave do Brasil desde o desastre com o voo da TAM, em 2007. Nesta quinta-feira (23), o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) reúne a imprensa para divulgar o relatório final sobre a tragédia. O relatório reúne as conclusões da investigação técnica conduzida pela Força Aérea Brasileira (FAB) para identificar os fatores que contribuíram para o acidente. Logo após a tragédia, duas investigações foram abertas. O Cenipa passou a apurar os fatores que contribuíram para a queda e indicar medidas para evitar novos acidentes. Já a Polícia Federal iniciou um inquérito para apurar se houve crime e produzir um laudo próprio sobre o caso, já que o relatório do Cenipa não pode ser usado para responsabilização criminal. Também mostrou que o sistema foi acionado e desligado várias vezes ao longo da viagem, mas sem concluir se isso ocorreu por ação dos pilotos ou por outro motivo. O relatório, porém, não apontou a causa do acidente. Enquanto as investigações avançavam, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu as operações da Voepass, em março de 2025. Três meses depois, cassou o Certificado de Operador Aéreo (COA) da empresa, impedindo a companhia de operar voos comerciais. Na semana em que a tragédia completou um ano, o g1 publicou reportagens exclusivas sobre o caso. Uma delas revelou o relato de um ex-funcionário da Voepass de que um piloto havia informado verbalmente, horas antes do acidente, falhas no sistema antigelo durante um voo anterior, mas que o problema não foi registrado no diário técnico da aeronave. Quase dois anos depois da tragédia, o Cenipa concluiu as investigações e divulgou o relatório final, que reúne a análise técnica do acidente e recomendações para aumentar a segurança da aviação e evitar novas tragédias. Escombros de avião em Vinhedo (SP) neste sábado, dia 10 de agosto de 2024 — Foto: Nelson Almeida/AFP LEIA TAMBÉM: O que foi analisado pelo Cenipa? Entre os principais trabalhos realizados estão: análise das duas caixas-pretas (gravador de voz da cabine e gravador de dados de voo);reconstrução completa do voo, incluindo comandos feitos pelos pilotos e alertas emitidos pela aeronave;exames nos motores e nos sistemas de degelo e de proteção contra estol;análise das condições meteorológicas registradas no dia do acidente;entrevistas com pilotos, mecânicos, despachantes e familiares dos tripulantes;estudo de mais de 15 mil voos realizados por aeronaves da mesma frota da companhia;testes em simuladores e um voo experimental com outro ATR 72-500;análise de registros de manutenção, certificados médicos dos pilotos e outros documentos técnicos;análise de equipamentos responsáveis pelo controle de diferentes sistemas da aeronave;análise das lâmpadas dos painéis do avião para verificar quais estavam acesas no momento da queda. Revisão internacional Caixa preta da aeronave que caiu em Vinhedo (SP). — Foto: Divulgação/FAB pelo Bureau d'Enquêtes et d'Analyses pour la Sécurité de l'Aviation Civile (BEA), da França, país responsável pelo projeto e fabricação do ATR 72-500;e pelo Transportation Safety Board (TSB), do Canadá, responsável pelo projeto dos motores da aeronave. Investigação criminal também está na reta final Familiares das vítimas do voo 2283 e advogados em reunião na Delegacia da Polícia Federal, em Campinas (SP) — Foto: Arquivo pessoal Segundo os advogados que representam os familiares, a expectativa é que a Polícia Federal conclua o inquérito em breve e encaminhe o caso ao Ministério Público Federal (MPF). O relatório poderá embasar eventuais indiciamentos. O que diz a Voepass Em nota, a Voepass afirmou que a queda do voo 2283 foi "o episódio mais difícil" da história da companhia e disse seguir prestando apoio psicológico às famílias das vítimas. A empresa declarou que colaborou com as investigações desde o início, reafirmou que sua frota "sempre esteve aeronavegável e apta a realizar voos", conforme os padrões internacionais, e sustentou que apenas o relatório final do Cenipa poderá apontar, de forma conclusiva, as causas do acidente. Protesto de familiares das vítimas da queda de avião em Vinhedo — Foto: Gabriella Ramos/g1 VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região