Somente crimes digitais aumentaram 20,6% entre 2024 e 2025 Golpe no celular — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil Em 2025, foram registrados 2.261.055 casos de estelionato no Brasil, o que representa um aumento de 429,7% desde 2018, de acordo com os dados do Anuário de Segurança Pública 2026, divulgados nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Do total de casos registrados no ano passado, 15,33% são referentes ao estelionato eletrônico, conhecido como "golpes", um aumento de 20,6% na comparação anual. David Marques, gerente de programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, comenta que atualmente o estelionato é o principal crime patrimonial do país, sendo temido por 83,2% da população brasileira, e o seu aumento, em especial no ambiente digital, se dá devido à digitalização financeira do Brasil. Oficialmente, o estelionato consiste na obtenção de vantagem ilícita, causando prejuízo a outra pessoa, através de artimanha para enganar alguém ou levá-lo ao erro, de acordo com a definição do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. “Roubo de veículo, roubo de instituição financeira, estabelecimento comercial, roubo de carga, tudo isso vinha caindo pré-pandemia, mas essa queda é acentuada no período da pandemia. Coincidentemente, o período trouxe uma intensificação da bancarização e da digitalização das finanças, em que cada vez mais pessoas de diferentes classes sociais adentram [ao sistema financeiro]. A gente teve também o Pix. Tudo isso aconteceu mais ou menos ao mesmo tempo, de forma muito intensificada”, explicou Marques ao justificar o crescimento dos golpes. Evolução dos registros de estelionato no Brasil Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública Entre as unidades federativas do Brasil, o estado que mais registrou estelionato digital no ano passado foi Santa Catarina, com 75.103 casos. Já o estado com menos registros foi o Acre, com 605 casos. São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará não divulgaram seus dados. Já quando se fala no registro de crime de estelionato em geral, o estado com mais boletins de ocorrência foi São Paulo. Para Marques, isso pode ser justificado pela região ser o centro financeiro do país e pela capital ser a terceira cidade com mais casos de roubos e furtos do país, concentrando 20% das ocorrências. Masques considera que há uma tendência no crescimento de estelionatos digitais no país devido ao aumento da digitalização e a falta de ações do governo e da polícia que sejam eficazes na proteção de dados dos cidadãos e nas investigações. Tem como se prevenir dos golpes? Apesar da importância dos cuidados pessoais, como prestar atenção no celular quando se está na rua, o gerente de programas do FBSP explica que atualmente há uma “indústria do golpe”, com facções criminosas e uma estrutura organizada para esse tipo de crime, o que faz com que seja necessária uma ação ampla para a desarticulação desses grupos. “É uma responsabilidade da política pública de segurança, com mais investigações e mais inteligência para identificar esses grupos. Esses são aspectos que, enquanto escala, tendem a ajudar muito mais do que qualquer medida individual que você tenha em relação às suas finanças, aos seus dispositivos e assim por diante”, diz Marques. Para complementar, Luiza Dias, diretora-presidente da GlobalSign Brasil, comenta sobre uma “responsabilização compartilhada” entre os bancos, empresas de telecomunicações, redes sociais e o Estado para que haja o bloqueio da disseminação do golpe. Além disso, ela lista algumas dicas para que o cidadão não caia em golpes: Desconfie da urgência: O criminoso tende a criar um cenário de pânico para você agir por impulso; Valide a identidade; Use múltiplas chaves: Ative a autenticação em duas etapas (2FA) em todas as contas, especialmente no WhatsApp e e-mail. *Estagiária sob supervisão de Diogo Max