Feminicídios e golpes aumentaram em 2025. Roubos de celulares seguem em patamar elevado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Operação policial no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo/28-10-2025 É positiva, sem dúvida, a redução de 8,2% na taxa de assassinatos no Brasil entre 2024 e 2025, constatada pela 20ª edição do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Além de ser a menor (19,1 casos por 100 mil habitantes) desde 2012, mantém a tendência de queda dos últimos anos. Mas a boa notícia deve ser vista com ressalvas. Os números continuam em níveis inaceitáveis, especialmente quando comparados a outros países, mesmo da América do Sul. Segundo dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), no Chile, a taxa é de 4,6 por 100 mil. Parte da redução é explicada pela melhora efetiva do trabalho policial, mas parte também pelo monopólio alcançado pelas facções em algumas regiões do país e pela demografia. Há regiões com menos mortes, mas o crime organizado se expandiu. Existem outros motivos para preocupação. Alguns tipos de crime estão aumentando. É o caso dos feminicídios, chaga que o país não consegue conter, apesar das constantes mudanças na legislação e da criação de protocolos e políticas públicas. No ano passado, 1.571 mulheres foram mortas por sua condição de gênero, alta de 4% em relação ao ano anterior e o maior patamar da década. É verdade que pode haver efeito estatístico, uma vez que esse tipo de crime não era registrado como feminicídio antes de 2015. São mais de quatro casos por dia, um dado que deveria envergonhar o Brasil. O agressor pertence quase sempre ao círculo íntimo da vítima. É inacreditável que a residência (onde ocorrem 62,5% dos crimes) continue sendo o local mais perigoso para as mulheres. Outro ponto negativo é o aumento da letalidade policial, envolvendo principalmente jovens e negros. No ano passado, 6.602 brasileiros morreram vítimas de operações das forças de segurança, um aumento de 5,4% em relação a 2024. Nos últimos dez anos, a elevação chegou a 56%. Segundo o relatório, os números indicam que o poder público “tem sido parte do problema e não apenas da solução para a segurança nacional”. Num país convulsionado por facções criminosas, as polícias evidentemente precisam agir, mas as ações devem ocorrer estritamente dentro da lei. Fica claro também que o Estado, com estruturas de investigação obsoletas, não está conseguindo acompanhar as mudanças na dinâmica do crime. Os estelionatos (golpes), especialmente pelos meios digitais, dispararam, consolidando-se como principal crime patrimonial. Em 2025, foram 2.261.055 registros, mais de quatro por minuto. Houve um aumento de 2,7% em relação a 2024. Parcela ínfima das ocorrências policiais (2,8%) vira processo. Pesquisas de opinião têm mostrado que a violência está no topo das preocupações dos brasileiros. E nem poderia ser diferente. Não bastassem as grandes áreas sequestradas por facções e as guerras diárias entre quadrilhas, ninguém tem tranquilidade para sair às ruas com um simples celular (no ano passado foram roubados ou furtados mais de 830 mil aparelhos). Autoridades terão de fazer muito mais para devolver ao cidadão o sagrado direito de ir e vir.
Redução de assassinatos é positiva, mas ainda há muito a fazer na segurança
Feminicídios e golpes aumentaram em 2025. Roubos de celulares seguem em patamar elevado












