PUBLICIDADE Cenário nacional aponta para uma baixa taxa de resolução de delitos desse tipo, enquanto facções investem em estelionato, mostra o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Tela de um dos computadores da central de golpes localizada pela Polícia Civil na Faria Lima em janeiro, com roteiro para as ligações telefônicas — Foto: Reprodução/ Deic RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/07/2026 - 21:52 Fraude digital lidera crimes patrimoniais no Brasil com 250 casos/hora Fraudes digitais são o principal crime patrimonial no Brasil, com mais de 250 ocorrências por hora, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Facções criminosas como PCC e CV estão envolvidas, e a taxa de resolução é baixa. São Paulo lidera em casos. Os golpes mais comuns incluem clonagem de cartão e falsos atendentes bancários. A Austrália e Singapura adotaram medidas eficazes contra fraudes digitais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO As fraudes digitais se consolidaram como o principal crime patrimonial do país. Dados do 20º Anuário de Segurança Pública apontam que enquanto quase todas as mortes violentas intencionais e os vários tipos de roubos estão em queda, os estelionatos crescem de maneira acelerada. O cenário, segundo artigo dos pesquisadores do Anuário, é de consolidação para esse tipo de crime como o delito mais comum do país. Veja ao longo do texto quais são as fraudes mais praticadas no Brasil. Em 2025, foram 2,2 milhões de ocorrências de golpes no Brasil, ou mais de 250 casos por hora. Se comparado a 2018, o índice cresceu em mais de 400%. Segundo pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 83% da população afirma temer ser vítima de fraudes online. Os dados disponíveis também apontam para uma enorme subnotificação. Levantamento do FBSP de março de 2026 mostrou que 15,8% da população com 16 anos ou mais relatou que foi vítima de golpe ou perdeu dinheiro pela internet ou celular no último ano, o que seria equivalente a 26,3 milhões de brasileiros. Em 2025, apenas 2,8% das ocorrências policiais viraram processos judiciais. O problema também passa pela legislação. Desde 2019, os estelionatos passaram a ser tratados como ação penal pública condicionada à representação. Isso significa que o Ministério Público só poderá oferecer denúncia se a vítima manifestar interesse na persecução penal, dentro de um prazo de 6 meses a partir da data do crime, com algumas exceções, como nos casos em que a vítima seja maior de 70 anos ou uma criança ou adolescente. Em artigo em que analisam os motivos para a ascensão dos golpes digitais, os pesquisadores do Fórum apontaram que diferentes investigações policiais vêm confirmando o envolvimento direto de facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na exploração desse tipo de crime. São Paulo tem a maior taxa de estelionatos a cada 100 mil habitantes do país, com 1.808 registros. Na sequência aparecem o Distrito Federal (1.717), Paraná (1.339), Rondônia (1.329), Santa Catarina (1.294), Espírito Santo (1.254) e Goiás (1.075). A média nacional é de 1.059 crimes do tipo para cada 100 mil habitantes, colocando o Brasil acima do patamar observado em países como os Estados Unidos (EUA), com uma taxa de 882. Os golpes mais relatados pelas vítimas no Brasil são, segundo dados do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), coletados a pedido do Observatório Febraban: Clonagem/troca de cartão (45%)Golpe do Whatsapp (34%)Falsa central bancária (31%)Golpes do pix (24%)Uso indevido de CPF via SMS (13%)Leilão ou loja falsa (10%) Dados da empresa global de tecnologia BioCatch apontam ainda que as fraudes baseadas em personificação cresceram em cerca de 140% na América Latina. São os casos em que os autores se passam por funcionários de bancos, empresas ou órgãos públicos e usam informações pessoais das vítimas para passar credibilidade e induzir os alvos a realizarem transferências bancárias ou fornecerem informações sensíveis. A análise sobre o cenário nacional de estelionatos foi elaborada por Samira Bueno, diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, diretor presidente da instituição e Isabela Sobral, gerente de projetos e dados do Fórum. No texto, os pesquisadores indicam ainda para países que tiveram algum sucesso em iniciativas governamentais para dificultar a prática de estelionato. Um dos exemplos é o da Austrália, que implantou um centro nacional contra golpes dentro do órgão de defesa do consumidor do país. O centro integra dados em tempo real entre diversos setores, compartilhando números de contas bancárias suspeitas, números de telefone usados para cometer fraudes e sites falsos. As informações são enviadas para bancos, operadoras de telefonia e plataformas de hospedagem de internet, para remoção ou restrições. Com a criação da entidade, entre 2022 e 2024 o número de perdas com golpes digitais teve redução de 29,7%. Mecanismo parecido foi adotado em Singapura, com o centro contra golpes criado dentro da polícia do país em 2019. O mecanismo funciona 24 horas, com policiais, funcionários dos maiores bancos e representantes de plataformas como Meta e Google. Quando um golpe é denunciado, o centro consegue bloquear a conta receptora do dinheiro, o chip de telefone usado pelo golpista e desativar sites que cometem fraudes.
Fraudes digitais se consolidam como maior crime patrimonial do país, com mais de 250 golpes por hora; veja as modalidades mais comuns
Cenário nacional aponta para uma baixa taxa de resolução de delitos desse tipo, enquanto facções investem em estelionato, mostra o Anuário Brasileiro de Segurança Pública








