Como combater a alta de golpes no País? Especialista aponta caminhosPresidente do Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime (INCC), Fábio Diniz defende medidas como a criação de uma agência nacional de cibersegurança. Crédito: Reportagem: Ítalo Lo Re/Imagem e som: Betinho CineO Brasil registrou 34,5 bilhões de tentativas de golpes digitais em 12 meses, segundo a Global Anti-Scam Alliance. Em 2026, 81% dos adultos tiveram contato com fraudes, resultando em R$ 21,2 bilhões em perdas. Golpes online e promessas falsas são comuns, com o telefone sendo o principal canal. Renata Salvini, da Gasa, destaca a importância de regulamentações e campanhas, mas alerta que a solução exige ação conjunta de empresas e autoridades para enfrentar o ecossistema criminoso.Os golpes digitais estão cada vez mais frequentes. O País registrou uma média de 34,5 bilhões de tentativas de fraudes desse tipo ao longo dos últimos 12 meses, segundo o relatório O Estado dos Golpes no Brasil 2026, divulgado nesta quinta-feira, 6, pela Global Anti-Scam Alliance (Gasa) durante o evento Brazil Anti-Scam Forum, em São Paulo. O cálculo considera que cada brasileiro recebeu, em média, 201,6 abordagens golpistas durante um ano. PUBLICIDADEA pesquisa também mostra que 81% dos adultos tiveram contato com algum tipo de fraude em 2026. Entre eles, 39% chegaram a interagir com os golpistas e 10% sofreram prejuízo financeiro, o que representa cerca de 16,5 milhões de vítimas. As perdas são estimadas em R$ 21,2 bilhões, com valor médio de R$ 1.287 por pessoa.O estudo analisa a frequência das tentativas de fraude, os prejuízos financeiros, os impactos emocionais, os tipos de golpes mais comuns e a percepção dos consumidores sobre segurança digital. No total, 42 países foram avaliados.PublicidadeO ciclo de revitimização Embora a média de tentativas tenha diminuído em relação ao levantamento anterior, de 252 abordagens, os pesquisadores alertam que isso não representa necessariamente uma melhora do cenário.Leia tambémIA está transformando a segurança nas empresas, diz especialista que atuou no FBI e na CIAIA pode deixar compras online mais seguras? Visa e Mastercard criam protocolos contra golpesA principal hipótese levantada pela Gasa é a de que as organizações criminosas estão abandonando as campanhas em massa para investir em ataques mais direcionados, utilizando bases de dados cada vez mais qualificadas e recursos tecnológicos para identificar pessoas com maior probabilidade de cair em golpes. O fenômeno é chamado de revitimização, quando uma pessoa é enganada várias vezes. No levantamento, elas são 34% das vítimas. Segundo Renata Salvini, diretora do capítulo brasileiro da Gasa, esse comportamento tem uma explicação conhecida pelos especialistas que acompanham a atuação das organizações criminosas. Ela afirma que, em fóruns clandestinos utilizados por golpistas, listas contendo informações de pessoas que já foram vítimas têm valor superior às listas de cidadãos que nunca sofreram fraudes. PublicidadeA lógica, explica a diretora, é simples: se um criminoso conseguiu convencer uma pessoa uma vez, existe a expectativa de que outro consiga repetir o mesmo “sucesso”.Os principais canais de golpeAs fraudes envolvendo compras pela internet permanecem na liderança entre os golpes mais aplicados no Brasil. Segundo o levantamento da Gasa, 22% dos entrevistados afirmaram ter sido alvo desse tipo de abordagem. Em seguida, aparecem os golpes relacionados a promessas de dinheiro inesperado (17%) — como falsas restituições, prêmios, heranças ou investimentos — e as falsas ofertas de emprego, também com 17% das ocorrências registradas. Todas essas abordagens procuram explorar emoções como medo, ansiedade, expectativa ou euforia para reduzir a capacidade crítica da vítima.PublicidadeO telefone continua sendo o principal canal utilizado pelos golpistas para iniciar o contato com as vítimas (53%). Logo depois aparecem os aplicativos de mensagens instantâneas (49%) e o e-mail (39%).Entre as três principais plataformas utilizadas pelos golpistas, estão o WhatsApp (64%), Gmail (32%) e Instagram (22%).Somente 4% denunciaram os golpes às autoridades. Já em relação ao reembolso, 20% daqueles que reportaram suas perdas afirmam que o dinheiro foi reembolsado pela organização à qual fizeram a denúncia.PublicidadeCada brasileiro recebeu, em média, 201,6 abordagens golpistas durante um ano Foto: Tiago Queiroz/Estadão Marco regulatório e campanhas são avanço, mas não resolvem o problemaPUBLICIDADEPara Salvini, iniciativas regulatórias representam um passo importante para tornar o ambiente digital mais seguro, principalmente ao estabelecer responsabilidades mais claras para empresas e instituições responsáveis pela proteção de dados.O marco regulatório da cibersegurança no Brasil, que avança por meio do Projeto de Lei nº 4.752/2025, é visto com expectativa pela pesquisadora.“Todas as iniciativas são bem-vindas e necessárias. Uma regulamentação mais forte gera um ecossistema mais robusto. Estamos animados. Eu acho que cada uma dessas iniciativas vem para agregar a esse problema que é tão complexo, não é um problema simples”, afirma.PublicidadeEla acrescenta que as campanhas de informação são importantes, mas ressalta que achar que o consumidor vai virar um especialista em golpes é um erro. Mensagens amplamente difundidas, como “não clique em links desconhecidos”, “não compartilhe senhas” ou “desconfie de ofertas boas demais para ser verdade”, já não são suficientes para acompanhar a evolução dos golpistas.“Isso tudo, isoladamente, não resolve. Mas como parte de um conjunto de ações, ajuda. Mostra para o criminoso que a gente está atento e vai lutar”.PublicidadeCombate exige atuação conjuntaPara Salvini, responsabilizar apenas quem caiu em um golpe ignora a complexidade do ecossistema criminoso.Na avaliação da diretora, bancos, empresas de tecnologia, plataformas digitais, operadoras de telecomunicações, órgãos públicos e forças de segurança precisam atuar de forma coordenada, compartilhando informações e aperfeiçoando mecanismos de prevenção.Vale ler tambémMercado vê ‘guerra fria’ entre Durigan e Moretti, que apontam caminhos distintos para ajuste fiscal O agro brasileiro já produz em escala. Agora pode ir além Reforma tributária: Qual será a alíquota do IBS e da CBS? O mercado já fez suas estimativas