Declarações são feitas após a Arábia Saudita confirmar que um navio petroleiro do país foi atingido por um projétil no Mar Vermelho e sofreu um incêndio a bordo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Donald trump durante o discurso à nação realizado na noite desta quinta-feira (16) — Foto: Redes Sociais RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/07/2026 - 10:09 EUA ameaçam Irã após ataques dos houthis a petroleiro no Mar Vermelho Donald Trump alertou que os EUA responsabilizarão o Irã por ataques dos houthis no Mar Vermelho, ameaçando punição militar. A Arábia Saudita confirmou que um petroleiro foi atingido por um projétil, causando incêndio. O conflito afeta o mercado de petróleo, com o preço do barril quase atingindo US$ 100. Houthis alegam que ações são resposta à guerra civil iemenita. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente Donald Trump alertou nesta quinta-feira que os EUA vão responsabilizar diretamente o Irã por mais ataques dos rebeldes houthis — aliado da República Islâmica no Iêmen como parte do "Eixo da Resistência" — contra navios no Mar Vermelho, ameaçando infligir "grande punição militar" tanto contra Teerã quanto contra o grupo se as hostilidades continuarem. Em um post em sua plataforma Truth Social, o republicano disse que os houthis "agiram de forma muito responsável" desde uma ofensiva americana contra o grupo no ano passado e ao longo da guerra contra o Irã neste ano, mas que agora estava "muito desapontado". As declarações foram feitas após a Arábia Saudita confirmar que um navio petroleiro do país foi atingido por um projétil no Mar Vermelho e sofreu um incêndio a bordo — o grupo, porém, havia anunciado ter disparado com mísseis e drones contra duas embarcações de Riad na região. Segundo um funcionário da Autoridade Geral de Transportes da Arábia Saudita ouvido pela mídia estatal, a embarcação Encelia registrou um incêndio na proa, mas a tripulação estaria em segurança. Dados cruzados pela CNN entre o relato oficial, imagens de satélite e boletins de agências que monitoram o tráfego marítimo sugerem que o navio teria sido atingido a cerca de 70 milhas náuticas da costa saudita. Não há confirmação de que outra embarcação tenha sido atingida, mas um petroleiro de nome Layla teria sido o alvo de disparos. Na segunda-feira, os houthis anunciaram um bloqueio naval contra embarcações sauditas em resposta a um ataque direcionado ao reduto do grupo no Iêmen na semana passada — um desdobramento que ameaça abrir uma nova frente da guerra no Oriente Médio, onde o conflito entre EUA e Irã se intensifica com novos bombardeios registrados entre a noite e a madrugada. Nesta quinta-feira, Omã afirmou que coordena com a Arábia Saudita, grupos iemenitas e o enviado da ONU ao Iêmen uma forma de retomar a diplomacia e desescalar o conflito. Na quarta-feira, uma missão naval da União Europeia havia emitido um alerta sobre a iminência de um ataque houthi na região, recomendando que qualquer embarcação que tivesse passado por um porto saudita reduzisse sua pegada eletrônica, e que o risco para qualquer embarcação ou empresa de navegação afiliada a Estados Unidos, Israel e Arábia Saudita era "alto", dado o preparativo dos rebeldes na região próxima ao Estreito de Bab al-Mandeb. Alguns petroleiros sauditas já tinham retornado aos portos de origem após a ameaça. A confirmação dos ataques mexeu com o mercado internacional de petróleo, uma vez que a rota naval do Mar Vermelho, que inclui a passagem para a Europa via Canal de Suez e a conexão com o Golfo de Aden, era a principal rota de escoamento da produção saudita com o fechamento do Estreito de Ormuz pelo conflito EUA-Irã. O preço do barril voltou a se aproximar dos US$ 100 nos principais balcões de negociação, com o Mar do Norte alcançando US$ 98,47. Bloqueio de estreito no Mar Vermelho pode comprometer mercado global — Foto: Editoria de Arte / O Globo Embora os houthis apontem o bloqueio naval aos sauditas como uma resposta a um desdobramento da guerra civil iemenita — Riad apoia o governo internacionalmente reconhecido do Iêmen, que atacou um aeroporto em território dominado pelos rebeldes —, autoridades afirmam que a ação tem conexão com a conflagração regional. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusou os houthis de agirem no Mar Vermelho por influência do Irã. — Os houthis, em grande parte, agiram com inteligência e se mantiveram à margem de tudo isso ao longo do conflito, mas agora, aparentemente, deixaram-se levar nessa história, atacando a Arábia Saudita e seus navios — declarou Rubio à imprensa, à margem de uma cúpula do Sudeste Asiático em Manila. — Espero que eles reduzam a tensão, porque acho que os houthis, francamente, foram enganados pelos iranianos para entrar nessa. Conflagração regional Em conversa com jornalistas, o secretário de Estado também discorreu sobre a troca de ataques com o Irã, que teve uma nova rodada entre a noite de quarta e a madrugada desta quinta-feira. Rubio disse que Trump determinou que a abordagem com Teerã seguisse uma lógica de "uma cabeça por um olho" — uma paráfrase do lema "olho por olho", que o Irã diz seguir, destacando que há a intenção de agir de forma desproporcional. No campo de batalha, o Comando Central dos EUA no Oriente Médio relatou sua décima segunda noite consecutiva de ataques para "reduzir ainda mais a capacidade do Irã de ameaçar navegantes civis e embarcações comerciais que transitam pelas águas da região". A Guarda Revolucionária iraniana, por sua vez, disse ter atacado e destruído vários meios militares americanos na Jordânia, incluindo supostamente um radar do sistema de defesa antimísseis THAAD dos EUA, um sistema Patriot, um radar C-RAM e um hangar de helicópteros. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em conversa com jornalistas durante o encontro de países do Sudeste Asiático — Foto: Brendan Smialowski/AFP Apesar da ofensiva descrita por Teerã — que os EUA acusam frequentemente de não corresponder à realidade no terreno, tratando as alegações como mera narrativa —, Rubio afirmou que as autoridades iranianas estariam "implorando" por um acordo, por meios diretos e indiretos, mas citou o histórico de negociações fracassadas, afirmando que a liderança da nação persa não mantém os termos negociados em fases anteriores. — No momento, aparentemente, eles não caíram em si. Por isso, o presidente não vê muita utilidade em responder às suas iniciativas de diálogo agora, pois, francamente, o Irã claramente não está pronto para fazer um acordo, pelo menos não um que estejam dispostos a cumprir — disse. Impacto econômico Desde as primeiras semanas da guerra entre EUA e Irã, a Arábia Saudita tem dependido de um oleoduto que divide o país ao meio para redirecionar milhões de barris de petróleo do Golfo Pérsico para o Mar Vermelho. A maior parte desse petróleo chega ao mercado através de Bab el-Mandeb. Uma porção menor segue para norte, até ao Mar Mediterrâneo, através de um oleoduto que atravessa o Egito ou, no caso de combustíveis derivados do petróleo, através de Suez. Se os houthis conseguirem bloquear completamente o acesso da Arábia Saudita ao Mar Vermelho, eles retirariam cerca de 4% do petróleo mundial do mercado global. Essa estimativa, baseada em dados da agência de monitoramento de navegação Kpler, seria adicional à atual perda imposta pelo bloqueio de Ormuz. A Arábia Saudita tem usado a passagem por Bab el-Mandeb — adjacente à zona controlada pelos houthis em terra — para exportar cerca de 3,6 milhões de barris de petróleo e combustíveis por dia, principalmente para a Ásia. O oleoduto que atravessa o nordeste do Egito e o Canal de Suez são alternativas para o transporte do petróleo e combustíveis sauditas, mas não são tão atraentes quanto as outras duas opções, pois seria mais demorado e caro de escoar a produção, sobretudo para o continente asiático — incluindo por razões de limitações de capacidade nas duas rotas. (Com AFP e NYT