Bombardeios ocorreram um dia depois de os houthis do Iêmen anunciarem que imporiam um bloqueio naval à Arábia Saudita, abrindo uma potencial nova frente na guerra EUA lançam ataques contra o Irã após escalada das tensões no Oriente Médio — Foto: Reprodução/Centcom/X As forças dos Estados Unidos bombardearam alvos no sul do Irã durante a madrugada, depois que o presidente Donald Trump afirmou que Teerã pagaria caro pelas mortes de soldados americanos. Em resposta, o Irã atacou instalações americanas no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia, enquanto um petroleiro foi atingido no Estreito de Ormuz. Os ataques ocorreram um dia depois de os houthis do Iêmen, aliados do Irã, anunciarem que imporiam um bloqueio naval à Arábia Saudita, abrindo uma potencial nova frente na guerra e ampliando as ameaças ao abastecimento global de energia e ao comércio para além da região do Golfo. Apesar da escalada dos ataques, que praticamente destruiu o acordo de paz provisório firmado no mês passado, sinais de que Teerã e Washington desejam retomar a via diplomática ajudaram a conter os preços do petróleo. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou ter concluído sua mais recente rodada de ataques contra o Irã, afirmando que atingiu centros de comando militar, capacidades marítimas, locais de lançamento de mísseis e drones e sistemas de defesa aérea iranianos. Explosões foram ouvidas nos arredores da cidade de Shiraz, no sul do Irã, enquanto Konarak e Chabahar, na costa sul do país, também foram alvo de ataques, segundo a mídia estatal. O Irã respondeu com novos ataques em toda a região do Golfo, onde ofensivas recentes contra instalações de dessalinização aumentaram as preocupações com a escassez de água e evidenciaram a crescente ameaça à infraestrutura civil. A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) afirmou ter atacado infraestrutura no Bahrein pertencente à empresa americana de tecnologia Amazon, em retaliação ao que descreveu como um ataque dos EUA ao canteiro de obras da planejada usina nuclear iraniana de Darkhovin. A mídia estatal iraniana informou que forças iranianas também atacaram instalações de alojamento utilizadas por militares americanos na Base Aérea Sheikh Isa, no Bahrein. Até o momento, não houve comentários das Forças Armadas dos Estados Unidos, do governo do Bahrein ou da Amazon sobre os relatos, que a Reuters não conseguiu verificar de forma independente. O Exército iraniano afirmou ter lançado ataques com drones contra três bases militares americanas no Kuwait nesta terça-feira. A Guarda Revolucionária disse ter atacado uma instalação militar americana na Jordânia, enquanto o governo jordaniano informou que suas forças interceptaram e destruíram cinco drones iranianos. Petroleiros atingidos A agência United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO, na sigla em inglês) informou nesta terça-feira que um petroleiro no Estreito de Ormuz relatou ter sido atingido por um projétil de origem desconhecida, obrigando a tripulação a abandonar a embarcação e embarcar em um bote salva-vidas. Também nesta terça-feira, a Guarda Revolucionária afirmou que dois petroleiros pegaram fogo após explosões enquanto tentavam atravessar a rota sul do Estreito de Ormuz. Não ficou imediatamente claro quando esses incidentes ocorreram. O Irã vinha pressionando os houthis a fechar o estreito de Bab el-Mandeb, porta de entrada para o Mar Vermelho, caso os Estados Unidos continuassem atacando a infraestrutura energética iraniana, colocando em risco duas das mais importantes rotas mundiais para o transporte de energia. Um fechamento completo de Bab el-Mandeb reduziria em 7% a oferta global de petróleo, já que impediria que a maior parte das exportações sauditas deixasse a região. A interrupção se somaria à forte redução nos fluxos de petróleo provocada pela guerra no Golfo, que já diminuiu os embarques em cerca de 10% da oferta mundial. Após o anúncio do bloqueio pelos houthis, a coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen informou que começou a adotar medidas de proteção para seus navios que transitam pelo estreito de Bab el-Mandeb. O mercado de petróleo ponderou as ameaças à navegação diante dos relatos de esforços diplomáticos para conter o conflito, e os preços de referência do Brent recuavam ligeiramente nas primeiras negociações do dia. Embarcações no Estreito de Ormuz , vistas de Musandam, Omã, 21 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer Esforços diplomáticos Um alto funcionário iraniano disse à Reuters na segunda-feira que Teerã recebeu dos mediadores uma proposta de cessar-fogo de dez dias, em uma tentativa de salvar o acordo provisório, concebido para abrir caminho a um entendimento duradouro que encerrasse a guerra iniciada em 28 de fevereiro com ataques americano-israelenses contra o Irã. O ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, pediu ao Paquistão que retomasse seu papel de mediador no conflito. Mais tarde, ele chegou a Islamabad para novas conversas. A fase mais recente dos combates está entre as mais letais da guerra para as forças americanas. O número de militares dos EUA mortos subiu para 17 durante o fim de semana. Trump, sob crescente pressão interna devido à alta dos preços da gasolina desde o início da guerra, afirmou que os mais recentes ataques americanos contra o Irã eram uma resposta às mortes dos militares americanos. "Toda vez que o Irã matar um soldado americano, pagará por essa morte muitas vezes! Essa diretriz foi transmitida ao secretário da Guerra, Pete Hegseth, ao chefe do Estado-Maior Conjunto, Daniel Caine, e a todos os líderes das Forças Armadas", escreveu Trump na Truth Social na segunda-feira. A guerra já matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano. Partes do território libanês continuam sob ocupação israelense após ataques contra Israel realizados por combatentes do Hezbollah, que afirmaram agir em solidariedade a Teerã. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, deve se reunir com Trump na Casa Branca nesta terça-feira para apresentar um plano sobre como desarmar o Hezbollah, aliado do Irã, e assegurar a retirada das forças israelenses. O presidente libanês Joseph Aoun participa de uma coletiva de imprensa no palácio presidencial em Baabda, Líbano, em 17 de janeiro de 2025 — Foto: REUTERS/Mohamed Azakir/Foto de Arquivo